Empresas dos EUA são 'cúmplices' de desmatamento e abusos na Amazônia, diz Amazon Watch

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Incêndio no Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso, na Bacia Amazônica, em 6 de agosto de 2020
Incêndio no Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso, na Bacia Amazônica, em 6 de agosto de 2020

Grandes empresas financeiras dos Estados Unidos estão ajudando na destruição ambiental e a promover abusos contra os povos indígenas da Amazônia, ao investir bilhões de dólares em companhias associadas a estas ações, revelou um relatório publicado nesta terça-feira (27).

As empresas BlackRock, Citigroup, JPMorgan Chase, Vanguard, Bank of America e Dimensional Fund Advisors investiram mais de 18 bilhões de dólares nos últimos três anos em empresas de mineração, agroindustriais e energéticas envolvidas em uma "série de abusos" na maior floresta tropical do mundo, segundo o relatório elaborado pela organização ambientalista Amazon Watch e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). 

"Grandes empresas do setor financeiro (...) estão usando o dinheiro de seus clientes para permitir ações hediondas de empresas ligadas a violações de direitos indígenas e à devastação da floresta amazônica", disse o diretor de programas da Amazon Watch, Christian Poirier. 

"Esta cumplicidade do setor financeiro com a destruição contradiz os compromissos com o clima e os direitos humanos apregoados por algumas dessas empresas, expõe seus investidores a graves riscos e contribui de forma dramática com as crescentes crises mundiais da biodiversidade e do clima", acrescentou, em um comunicado. 

O documento investigou os investimentos das empresas em nove companhias brasileiras e multinacionais associadas a abusos na Amazônia, entre elas as mineradoras Vale e Anglo American, as agroindústrias Cargill e JBS, e a energética Eletronorte. 

A pesquisa acusa as empresas de práticas nocivas, como expropriação de terras, violência contra grupos indígenas, desmatamento ilegal e uso de pesticidas daninhos. 

A JBS, a maior produtora de carne do mundo, é apontada por ter obtido gado de fazendas que invadem as reservas indígenas Uru-Eu-Wau-Wau e Kayabi, na Amazônia brasileira. 

A gigante da mineração Vale, enquanto isso, enfrenta acusações de contaminação da água e em falhar em seu compromisso de mitigar o impacto de suas atividades em terras indígenas, segundo o documento. 

Os conflitos sobre a terra estão alimentando um aumento da violência contra os indígenas na Amazônia, que inclui um aumento de 135% no número de invasões de territórios no ano passado e o assassinato de sete líderes, afirma. 

Várias das companhias mencionadas negaram as acusações. 

Empresas como Vale, Cargill, Anglo American e JBS apresentaram provas que, asseguram, contradizem as conclusões do relatório. 

As instituições financeiras investidoras também negaram irregularidades. 

"O desmatamento e os direitos dos indígenas são questões críticas que também envolvem riscos para o retorno dos investimentos. Nos relacionamos com as empresas nestes e em outros riscos ASG (ambientais, sociais e de governança) e, quando não são geridas de forma adequada ou o progresso não é suficiente, (como acionistas) tomamos medidas de voto contra essa gestão", disse um porta-voz da BlackRock.  

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