Empresas nos EUA usam a inflação para aumentar seus lucros

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General Mills' Cinnamon Toast Crunch 18.8-ounce boxes are on display on a supermarket shelf on October 15, 2021, in Arlington, Virginia. - More air in that bag of chips? Fewer flakes in your cereal box? You're not imagining it:
"Reduflação" tem ocorrido, assim como no Brasil, no mercado norte-americano. com fenômeno percebido pelo consumidor. (Photo by Olivier DOULIERY / AFP) (Photo by OLIVIER DOULIERY/AFP via Getty Images)
  • Grandes empresas tendem usar a alta da inflação para aumentar suas margens de lucro;

  • Nos EUA, preços são aumentados nos supermercados sem aviso prévio;

  • Segundo especialistas, fenômeno se deve a concentração econômica em poucas mãos;

A inflação pode afetar diversos setores da economia e, principalmente, os valores dos produtos de supermercado. Esse aumento pode se refletir de diversas formas. Nos Estados Unidos, segundo reportagem do portal Business Insider, os preços ao consumidor de produtos estão subindo, mas os lucros das empresas estão subindo de forma ainda mais rápida.

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Entre os destaques da reportagem do Business Insider, está a rede de supermercados Walmart, que anunciou os resultados financeiros do terceiro trimestre na última semana e publicou ganhos melhores do que o esperado em parte oferecendo menos descontos aos compradores, mas, segundo o site, muitas grandes empresas passaram suas ligações trimestrais recentes se gabando para os investidores sobre sua capacidade de aumentar os preços nos supermercados norte-americanos.

Fenômeno de aumento de lucros nos EUA é maior com alta da inflação

As empresas tendem a tentar aumentar as margens de lucro durante períodos de inflação elevada, segundo relatou o The Wall Street Journal sobre esse comportamento. Aproximadamente dois terços das maiores empresas norte-americanas de capital aberto relataram lucros melhores neste ano do que no mesmo período de 2019, descobriu o WSJ, citando dados do FactSet. Quase 100 delas tiveram um desempenho pelo menos 50% melhor este ano do que em 2019.

Segundo o ex-secretário do Trabalho dos Estados Unidos, Robert Reich, em entrevista ao Business Insider, esse fenômeno é um "sintoma" da "concentração econômica da economia americana nas mãos de relativamente poucos gigantes corporativos com poder de aumentar os preços". A inflação pode ser um problema para os consumidores, mas o maior problema é a falta de competição, completou.

As indústrias americanas ficaram dramaticamente mais concentradas nas últimas décadas, diminuindo o número de concorrentes no mercado e aumentando o poder corporativo de tomada de preços, o que se vê em diversos mercados. Os lucros corporativos antes dos impostos como parcela da produção total norte-americana também atingiram uma alta de 13,5% em vários anos no segundo trimestre, o que significa que as empresas estão ficando com uma fatia ainda maior do bolo econômico.

A reportagem cita como exemplo as gigantes de bens de consumo Unilever, P&G e Colgate-Palmolive têm portfólios notavelmente semelhantes de marcas que vendem produtos semelhantes, e cada um relatou lucros melhorados com preços mais altos ao consumidor no terceiro trimestre. A Coca-Cola e a PepsiCo também lançaram aumentos de preços na mesma época.

Isso não quer dizer que haja fixação ilegal de preços, mas ter tão poucos jogadores no jogo torna muito mais fácil para as empresas seguirem estratégias semelhantes. Para resolver essa questão, segundo Robert Reich, o remédio não seria um aumento na taxa de juros, mas é preciso fazer o uso agressivo da lei antitruste, completou ao Business Insider.

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