Empresas pedem que governo britânico atue na 'epidemia' dos contatos

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Os jornais publicaram fotos de prateleiras de supermercados vazias no Reino Unido

Uma "epidemia" de casos de contato por covid-19 no Reino Unido atinge supermercados, transportes e até mesmo a polícia, ameaçando paralisar as atividades após o levantamento das restrições e aumentando a pressão sobre o governo.

A federação de varejistas britânicos pediu nesta quinta-feira (22) ao Executivo da Boris Johnson que relaxe as regras que impõem quarentena aos casos de contato com pessoas infectadas pelo coronavírus, alegando que elas ameaçam o abastecimento dos supermercados.

É uma epidemia dentro da pandemia, apelidada de "pingdemic" pelos britânicos, em um jogo de palavras entre "ping" (receber uma notificação) e "epidemic".

O número de novos positivos no país disparou nas últimas semanas, chegando a 50 mil por dia, pelos quais centenas de milhares de casos de contato foram forçados a se isolar, deixando muitos setores econômicos sem pessoal, do transporte à distribuição de alimentos.

Apenas na semana encerrada em 14 de julho, mais de 600 mil notificações foram enviadas pedindo quarentena. O primeiro-ministro e o líder da oposição trabalhista, Keir Starmer, estão ambos isolados por terem sido casos de contato.

Nas manchetes de quase todos os jornais havia fotos de prateleiras de supermercados vazias.

No sábado, uma linha do metrô de Londres teve que interromper o tráfego por falta de pessoal.

Algumas forças policiais alertam que os tempos de resposta serão mais longos e, antes da chegada das férias de verão, mais de um milhão de crianças também tiveram que se isolar, obrigando os pais a ficarem em casa.

- Situação "insustentável" -

O Reino Unido, um dos países europeus mais atingidos pela pandemia, com quase 129 mil mortes, enfrenta uma nova onda de casos devido à variante Delta do coronavírus, muito mais contagiosa do que as anteriores.

No entanto, o Executivo de Boris Johnson suspendeu quase todas as restrições de saúde restantes na Inglaterra na segunda-feira, abandonando até o distanciamento social e o uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados, contando com a vacinação - que até agora limitou o número de hospitalizações e mortes.

A federação de varejistas British Retail Consortium denunciou uma situação "insustentável".

"Essa 'pingdemia' acentua a pressão sobre a capacidade dos varejistas de manter o horário de funcionamento e reabastecer as lojas", alertou seu diretor, Andrew Opie. "O governo deve agir rapidamente", frisou.

Diversas redes de supermercados, além da associação de produtores e transportadores de carne, também denunciaram a escassez de mão de obra, parte da qual foi forçada a ficar em quarentena.

O CBI, a principal organização de empregadores britânicos, disse nessa quinta-feira que as fábricas britânicas estavam operando em plena capacidade, com a maior produção desde 1995, mas que o número de trabalhadores isolados ameaçava desacelerar a atividade.

E pediu que os regulamentos fossem modificados para permitir mais testes ou uma quarentena mais curta para o pessoal vacinado.

- Lista "limitada" -

O governo prometeu isentar certos trabalhadores essenciais da obrigação de respeitar dez dias de isolamento, desde que tenham recebido as duas doses da vacina ou tenham resultado negativo para covid-19.

Isso já se aplica desde segunda-feira aos trabalhadores da saúde pública "em circunstâncias excepcionais".

O ministro das Empresas, Kwasi Kwarteng, anunciou à BBC nesta quinta que a lista de trabalhadores isentos seria publicada durante o dia, mas advertiu que seria "muito limitada".

"Obviamente, estamos cientes do impacto que alguns setores sentiram e estamos trabalhando em estreita colaboração com eles", comentou um porta-voz de Johnson, garantindo que "não há problema" de abastecimento e que a cadeia de abastecimento alimentar britânica é "resiliente".

E enfatizou que a quarentena é uma "ferramenta muito importante" contra a covid-19.

De acordo com pesquisas recentes do YouGov, quase metade dos britânicos disse que não se isolaria se testasse negativo após ser um caso de contato, e 10% já desinstalaram o aplicativo de rastreamento de seus telefones celulares.

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