'Empresas pela primeira infância': firmas criam de licença estendida para pais a estágio aos filhos

Elisa Martins
Desafios e práticas: empresas compartilham experiências inovadoras

SÃO PAULO — Embora o caminho ainda seja longo, empresas têm feito o dever de casa e buscado soluções inovadoras para atender pais e mães funcionários. Os exemplos vão desde licença-paternidade estendida a folgas em dia de aniversário dos filhos.

Algumas companhias já adotaram até um programa de estágio, durante o verão, para filhos de funcionários. Esse é o caso da farmacêutica Takeda. Universitários filhos de funcionários podem estagiar nas diversas áreas da companhia durante dois meses: janeiro e fevereiro.

O tema foi um dos debates no evento “Empresas pela primeira infância”, realizado ontem no Rooftop 5, em São Paulo. A iniciativa foi do GLOBO e da revista Crescer, com apoio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e parceria da Globo e da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil).

A Takeda também instituiu a folga para seus funcionários no aniversário dos filhos. São iniciativas que se somaram a outras já existentes, como acompanhamento de grávidas e futuros pais com rodas de conversa e orientação com especialistas.

— Isso constrói confiança e aumenta o engajamento. O funcionário não se sente tratado só como profissional. Existe um lado de vê-lo de forma holística também — diz Veronika Falconer, diretora de RH da farmacêutica japonesa.

Segundo ela, o custo dessas ideias é baixo, e o retorno compensa:

— Cria reputação e fica mais fácil atrair talentos. Nosso turnover (pedidos de demissão) é baixo.

A mudança de ação passou por um esforço de empatia na Whirlpool, conta a diretora de RH da empresa do ramo de eletrodomésticos, Flávia Caroni.

— Criamos um processo de aprendizado para entender e nos colocarmos no sapato do outro, entender a dor dele — afirma. — Hoje temos horário flexível que permite levar ou buscar o filho na escola. Temos home office duas vezes por semana. E short friday (expediente mais curto às sextas).

Além disso, conta, as unidades da empresa têm sala para lactantes e berçário.

— São ações para permitir e promover essa conexão entre pais e filhos. E ajudamos a sociedade a se desenvolver — afirma Flávia.

Já na Johnson&Johnson, além de cardápio especial para grávidas, workshops e salas de lactantes, a empresa aumentou os benefícios para futuros pais. Eles têm direito a licença estendida por 40 dias, com opção de juntar com férias, em um total de até 86 dias corridos para dedicar ao bebê recém-nascido.

— Começamos essa discussão em uma reflexão sobre inclusão. No início, alguns questionavam: “O que vou ficar fazendo em casa?” — conta Guilherme Rhinow, diretor de RH da Johnson&Johnson.

Em 2019, mais de 200 pessoas já se beneficiaram da licença parental expandida.

— E cresce cada vez mais. Existem paradigmas da sociedade que precisam ser quebrados — acredita ele.

Olhar a primeira infância foi também a deixa para que outros temas se cruzassem nas empresas: pais adotivos e pais homossexuais, por exemplo. Ampliou-se inclusive o debate sobre outras faixas etárias, como grupos focais de pais criados para discutir depressão em adolescentes.

— Incluir toda diversidade é o princípio de um ambiente saudável — diz Flávia Caroni.