CORREÇÃO-Enauta decide ficar com campo de Manati, avalia convertê-lo em reservatório de gás

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Tanques para armazenamento de gás natural na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro

(Corrige a moeda no 6o parágrafo para "reais", e não "dólares")

SÃO PAULO (Reuters) - Razões estratégicas fizeram com que a Enauta Participações decidisse voltar atrás na venda de sua fatia no Campo de Manati e começasse a fazer planos de longo prazo para o ativo, que tem potencial para ser transformado num tanque de estocagem de gás, disse à Reuters o presidente da petroleira, Décio Oddone.

A Enauta fechou em agosto de 2020 um acordo com a Gas Bridge para alienação de sua participação de 45% em Manati, um dos maiores campos de gás do Brasil, localizado na Bacia de Camamu (BA). Nesta segunda-feira, a companhia informou que as condições precedentes necessárias para concluir o negócio não foram satisfeitas no prazo estipulado, até 31 de dezembro de 2021.

Segundo Oddone, a valorização do gás natural ao longo do último ano foi um dos motivos que levaram a companhia a desistir de prolongar a transação.

"O gás tem sido muito valorizado, estimamos um mercado apertado para os próximos anos. O Brasil é importador, o GNL (gás natural liquefeito) faz preço. Então, estarmos posicionados em gás é taticamente bom", afirmou Oddone, em entrevista à Reuters.

Além disso, Manati também é estratégico para o portfólio da Enauta, que vem perseguindo uma atuação "equilibrada" em exploração e produção de óleo e gás, com ativos que estejam gerando caixa e projetos de crescimento para o curto, médio e longo prazo, disse o executivo.

Atualmente, o campo produz pouco mais de 3 milhões de metros cúbicos de gás por dia, e gera entre 150 e 250 milhões de reais por ano em Ebitda para a Enauta, a depender do preço do gás. Com a anulação da venda, o caixa que vinha sendo gerado pelo ativo desde a assinatura da transação será revertido para a Enauta, afirmou Oddone.

Para o futuro, a companhia deverá estudar a conversão do campo numa espécie de tanque de estocagem de gás. Conforme anunciado, a Gas Bridge propôs negociar uma eventual associação nesse projeto, caso tenha sucesso na aquisição da participação de parceiros da Enauta no campo, que pertence também à Petrobras (operadora com 35%), PetroRio (10%) e Geopark (10%).

"Hoje não existe projeto de armazenagem de gás no Brasil, para compra do gás quando ele está barato e venda em momentos de alta demanda. Só (se armazena) dentro dos gasodutos -- que é muito pouco -- ou dentro dos navios de regaseificação, com capacidade limitada", disse Oddone.

Segundo o executivo, Manati apresenta condições favoráveis para um potencial projeto pioneiro no país. "O campo é particularmente bem posicionado, porque o reservatório tem condições geológicas favoráveis, está próximo da costa e tem gasoduto que se liga à rede do Nordeste".

A Enauta vai revisitar estudos preliminares já realizados no passado para eventual conversão do campo, que se aproxima do fim de sua vida útil. Caso o projeto se mostre viável, poderia sair do papel por volta de 2024 ou 2025, "na melhor das hipóteses", avalia o presidente da petroleira.

Oddone afirmou ainda que, neste primeiro trimestre, a companhia deve decidir sobre o sistema definitivo do Campo de Atlanta, na Bacia de Campos, e também iniciar a perfuração do primeiro poço na Bacia de Bacia de Sergipe-Alagoas.

(Por Letícia Fucuchima)

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