Suspeito confessa que enterrou corpos de jornalista e indigenista desaparecidos

Um dos dois detidos pelo desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira na Amazônia brasileira confessou ter enterrado os corpos na selva, informou a polícia nesta quarta-feira (15), que encontrou remanescentes humanos restos humanos no local.

O suspeito Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como 'Pelado', "narrou em detalhes o crime e indicou onde enterrou os corpos", um lugar "de muito difícil acesso" selva adentro, informou Eduardo Alexandre Fontes, chefe da Polícia Federal do Amazonas.

"Pela confissão e o lugar indicado, há grandes chances" de que os cadáveres sejam de Phillips e Pereira, "mas só teremos certeza após os exames" de identificação, completou.

Pelado, detido na semana passada, levou nesta quarta-feira a polícia até o lugar onde afirmou ter afundado a embarcação usada pelos dois desparecidos e enterrados os corpos.

Colaborador do jornal The Guardian, Phillips, de 57 anos, estava escrevendo um livro sobre a preservação ambiental na Amazônia.

Pereira, especialista da Fundação Nacional do Índio (Funai), atuava como guia de Phillips nesta região perigosa e de difícil acesso do Vale do Javari, uma região estratégica para os narcotraficantes, na qual também atuam garimpeiros, pescadores e madeireiros ilegais.

Um ativo defensor das comunidades indígenas, Pereira havia recebido ameaças desses grupos criminosos que invadem as terras protegidas para explorar seus recursos.

Ambos foram vistos pela última vez no domingo, 5 de junho, enquanto navegavam pelo rio Itaquaí.

- "Fim da angústia de não saber" -

A esposa do jornalista inglês, a brasileira Alessandra Sampaio, declarou que, embora ainda aguarde as "confirmações definitivas", trata-se de um "desfecho trágico" que "põe fim à angustia de não saber o paradeiro de Dom e Bruno".

Hoje, se inicia também nossa jornada em busca de justiça. Espero que as investigações esgotem todas as possibilidades e tragam respostas definitivas", completou em um comunicado.

Após dez dias de buscas intensas, as autoridades haviam encontrado vestígios de sangue em uma embarcação do primeiro detido e material "aparentemente humano" que já estava sendo analisado em Brasília. Também foram encontrados objetos pessoais, como roupas e calçados.

O presidente Jair Bolsonaro havia dito esta semana que "vísceras humanas" haviam sido encontradas flutuando no rio, mas essa informação não foi confirmada pela Polícia Federal.

Após o desaparecimento, Bolsonaro qualificou a incursão de Phillips e Pereira como uma "aventura não recomendável" e, nesta quarta-feira, disse que o repórter era "malvisto" na região amazônia por seu trabalho informativo sobre atividades ilegais como o garimpo.

"Esse inglês, ele era malvisto na região porque ele fazia muita matéria contra garimpeiros, [sobre] a questão ambiental", disse o presidente durante uma entrevista nesta quarta ao canal da jornalista Leda Nagle no YouTube.

O desaparecimento de Phillips e Pereira gerou uma onda de solidariedade internacional e voltou a provocar críticas contra o governo Bolsonaro, acusado de incentivar as invasões de terras indígenas e sacrificar a preservação da Amazônia para sua exploração econômica.

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