Encontro de Bolsonaro com Biden opõe líderes de Brasil e EUA com maiores divergências desde 2008

***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  07-06-2022 -  O presidente Jair Bolsonaro participa de  Cerimônia Brasil pela Vida e pela Família, no Palácio do Planalto. No evento o presidente fez duras críticas ao STF.  (Foto: Gabriela Bilo /Folhapress)
***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, BRASIL, 07-06-2022 - O presidente Jair Bolsonaro participa de Cerimônia Brasil pela Vida e pela Família, no Palácio do Planalto. No evento o presidente fez duras críticas ao STF. (Foto: Gabriela Bilo /Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O encontro de Jair Bolsonaro (PL) com Joe Biden previsto esta quinta-feira (9), nos Estados Unidos, deve colocar frente à frente os líderes brasileiro e americano com as maiores divergências ideológicas desde Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) e George W. Bush (2001-2009), que se reuniram pela última vez em 2008.

Bolsonaro e Biden vão se encontrar à margem da Cúpula das Américas, em Los Angeles, em meio a uma relação diplomática conturbada entre EUA e Brasil abalada por suspeitas levantadas pelo brasileiro ao sistema eleitoral americano e cobranças feitas por Washington por causa do desmatamento na Amazônia.

Bolsonaro só aceitou viajar aos EUA depois de ouvir do ex-senador Christopher Dodd que Biden não criaria constrangimentos para seu governo durante o evento. Mas, nesta quarta (8), o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, aumentou a tensão ao dizer que o líder americano também falaria sobre assuntos espinhosos ao brasileiro, entre eles questões ambientais e eleitorais.

Até pouco tempo, porém, a relação entre os líderes do Brasil e dos EUA era bem diferente. Há dois anos Bolsonaro foi recebido com pompa pelo ex-presidente Donald Trump em um resort do republicano em Palm Beach, perto de Miami, na Flórida. À época, o americano chegou a dizer que o brasileiro fazia um "trabalho fantástico" e que a relação entre os dois países nunca estivera tão boa.

Bolsonaro nunca escondeu ser fã de Trump e endossa com frequência suspeitas de fraude na eleição americana mesmo sem provas. O brasileiro também apontou como trunfo mais de uma vez o fato de ambos serem de direita.

Com Trump na Presidência, Brasil e EUA firmaram uma série de medidas de cooperação, entre elas a assinatura de acordo para o lançamento de satélites e foguetes na base de Alcântara, no Maranhão, e a liberação aos turistas americanos de entrada no Brasil sem a exigência de visto.

Além de Bolsonaro, Trump também recebeu, em 2017, o ex-presidente Michel Temer (2016-2019) nos EUA. O brasileiro buscava uma reaproximação do Itamaraty com a Casa Branca que ainda tinham relação estremecida por causa do vazamento de documentos sigilosos que mostraram que Dilma Rousseff (2011-2016), ministros e assessores da petista foram grampeados e espionados por uma agência de inteligência dos EUA.

No único encontro entre Temer e o republicano, o brasileiro disse que houve "coincidência" de posições sobre o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. "Eu próprio relatei que recebi o [oposicionista venezuelano] Leopoldo López, tenho mantido os mais variados contatos para revelar a posição do Brasil em relação à Venezuela, coisa que não ocorria antes, não é?", disse, à época, o brasileiro.

Temer se referia à relação um tanto quanto conturbada entre Dilma Rousseff e o democrata Barack Obama (2009-2017). Antes mesmo do escândalo da espionagem, o governo brasileiro e americano criaram rusgas quando, em 2012, a petista defendeu que Cuba fosse convidada para a Cúpula das Américas que ocorreria na Colômbia. Assim como neste ano, os Estados Unidos vetaram a participação de Havana e mantiveram a posição.

Obama também teve relação de altos em baixos com Lula, antecessor de Dilma. O democrata recebeu o brasileiro na Casa Branca em seu primeiro ano de mandato. Naquele mesmo ano o petista seria chamado de "o cara" pelo americano durante reunião do G20.

Mas, no ano seguinte, a relação azedaria depois de os EUA vetarem um acordo de troca de combustível nuclear com o Irã que era mediado pelo Brasil e pela Turquia. Em entrevista à Folha de S.Paulo em 2015, o ex-chanceler Celso Amorim disse que o petista se sentiu traído por Obama devido ao recuo no pacto, que o democrata incentivou a ser negociado, e que Bush era mais direto e franco.

Embora em espectro ideológico opostos, a relação de Lula e Bush era bastante amistosa. Os dois se aproximaram tanto que o petista se tornou, em 2007, o primeiro presidente latino no governo do republicano a visitar Camp David, casa de campo da Presidência dos EUA normalmente reservada a encontros com aliados importantes.

Bush também se encontrou pessoalmente com Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), mas ambos tiveram relação fria.

Presidentes do Brasil e dos EUA já protagonizaram também encontros históricos. Em 1943, Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) e Franklin Roosevelt (1933-1945) se reuniram em Natal, no Rio Grande do Norte, e acertaram um acordo para a entrada brasileira na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). João Goulart (1961-1964), por sua vez, cumprimentou John Kennedy na Casa Branca, em abril de 1962, cerca de 18 meses antes de o americano ser assassinado.

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