'Encontros O GLOBO' reforça o valor da vacina contra o HPV

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SÃO PAULO — Os riscos, os tratamentos e, principalmente, a prevenção do HPV foram discutidos anteontem na live “Como prevenir e tratar o HPV, a infecção sexual transmissível mais comum no mundo”. Este foi o segundo de uma série de três debates que vão abordar a vacinação no “Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar”. O patrocínio é da MSD.

Participaram do encontro a ginecologista Neila Maria de Gois Speck, presidente da Comissão Nacional Especializada em Trato Genital Inferior da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), e a médica infectologista Rosana Richtmann, do Grupo Santa Joana e do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Como acontece há anos no Encontros, a curadoria e coordenação é do cardiologista Cláudio Domênico. A mediação foi da jornalista do GLOBO Constança Tatsch.

Os médicos começaram o encontro explicando que há 200 tipos de HPV, o papilomavírus humano, e cerca de 20 são capazes de promover câncer, que pode ser de colo de útero, vagina, vulva, ânus, boca e orofaringe.

Mas há vacina contra o HPV, ofertada de forma gratuita para as meninas dos 9 aos 15 anos e para os meninos dos 11 aos 15 anos, em duas doses com intervalo de seis meses. A vacina quadrivalente atua contra os quatro tipos mais comuns — dois para a formação das verrugas e dois com poder oncogênico.

— É um vírus de fácil transmissão, extremamente comum. A OMS estima que 80% das pessoas sexualmente ativas em algum momento da vida vão dar de cara com esse vírus, por isso a enorme importância da prevenção com a vacina — disse a infectologista Rosana Richtmann.

Apesar de a vacina ser ofertada até os 15 anos, pessoas mais velhas que, por algum motivo, não tomaram, também podem se vacinar.

— A gente vê um benefício real em usar a vacina também em pessoas de outras faixas etárias. Vale a pena vacinar em qualquer idade. Em bula, a vacina é aprovada até 45 anos — complementou Neila Speck.

Quando a vacinação contra o HPV começou no país, era feita nas escolas e a adesão foi de 100%. Hoje, é ofertada apenas nos postos. Assim, agora apenas cerca de 50% das meninas tomaram as duas doses e só 35% dos meninos, muito longe da meta de 80%.

Para as médicas, a faixa etária é complicada porque não vai mais ao pediatra e ninguém prescreve. Além disso, as famílias ainda não estão bem informadas e há muita gente que confunde a vacinação contra o HPV com um incentivo ao início da vida sexual.

— Tem uma campanha nos EUA que acho bacana que diz: a vacinação precoce não abre a porta para o sexo, ela fecha a porta para o câncer. Muitas vezes os pais acreditam que indicar a vacina contra um vírus sexualmente transmissível incentiva os filhos a iniciar a vida sexual. Mas inúmeros estudos mostram que isso não acontece, não é verdade — diz Richtmann.

A escolha para essa faixa é devido à resposta imune: se comparar a quantidade de anticorpos que alguém entre 9 anos e 15 anos produz com a vacina é 3 a 4 vezes maior do que jovens entre 17 e 26 anos

Para, Cláudio Domênico a campanha nacional de multivacinação até o dia 29 é também o momento de conscientização:

— É hora de união, do Ministério da Saúde, profissionais de saúde, imprensa e famílias. Trabalhar em time é a melhor maneira. Há um ditado africano que diz: se quer ir rápido, vá sozinho, se quer ir longe, vá em grupo.

O encontro completo está disponível no Youtube e Facebook do jornal O GLOBO.

No dia 11 de novembro, acontece a terceira e última live, com o tema “Sarampo e Catapora: quais as diferenças e os cuidados de cada uma”.

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