Enel planeja vender distribuidora de energia do Ceará para focar em metrópoles

Logo da Enel em Milão

Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO (Reuters) -A Enel anunciou nesta terça-feira sua intenção de alienar o controle acionário da Coelce, distribuidora de energia do Ceará, em mais um movimento para concentrar esforços em distribuição nas áreas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, onde há mais potencial para produtos e serviços de eletrificação.

O grupo italiano incluiu a brasileira Coelce no rol de ativos que pretende vender nos próximos anos, segundo novo plano estratégico 2023-2025. O objetivo dessas alienações é levantar 21 bilhões de euros (21,5 bilhões de dólares) para reduzir a dívida líquida e focar nos negócios de energia mais limpa em seis países principais.

"O Brasil... tem uma área enorme, queremos focar onde a maioria do nosso conteúdo digital e capacidades estão, que são as grandes áreas metropolitanas", explicou em coletiva de imprensa o CEO da Enel, Francesco Starace, ao ser questionado sobre a venda no Ceará.

A Coelce é a terceira maior distribuidora do Nordeste em volume distribuído, fornecendo energia elétrica nos 184 municípios do Ceará e contando com uma base comercial de aproximadamente 4,38 milhões de unidades consumidoras, segundo informações do site da empresa.

Em comunicado ao mercado, a Coelce detalhou que ainda não foram iniciadas concretamente "quaisquer medidas e procedimentos" para a venda do controle.

Com isso, a italiana se concentrará nas concessionárias de São Paulo (ex-Eletropaulo) --a maior do país, que fornece energia a 7,5 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios da região metropolitana paulista -- e do Rio de Janeiro, com 3 milhões de unidades consumidoras em 66 municípios fluminenses.

Starace também disse que o maior foco nas grandes cidades também foi o motivo da alienação da Celg-D, distribuidora de Goiás que foi vendida pela Enel neste ano ao grupo Equatorial Energia, em uma operação de 7,3 bilhões de reais (incluindo dívidas).

A venda da Coelce surge em um momento em que grande parte das distribuidoras brasileiras já são de capital privado, fazendo com que haja pouca oportunidades de consolidação no mercado para elétricas que atuam nesse segmento.

Além dessa transação, há a expectativa de que o grupo Oliveira Energia venda sua distribuidora de energia no Amazonas. A empresa já iniciou conversas com investidores para uma potencial venda do controle, segundo fontes, que afirmaram que ainda não há um processo formal aberto.

GERAÇÃO RENOVÁVEL

Além de distribuição de energia, a Enel continuará apostando em geração renovável no Brasil por meio de seu braço para o segmento, a Enel Green Power.

"Em renováveis, temos um enorme 'pipeline' e vamos continuar", disse o CEO da elétrica italiana, sem revelar valores de investimentos previstos para o país nos próximos anos.

"Acreditamos que o Brasil precisa de geração adicional além das hidrelétricas, a fim de equilibrar o parque gerador e se tornar mais seguro, dependendo menos das condições hidrológicas", afirmou.

Neste ano, a Enel "limpou" seu portfólio de ativos de geração no Brasil ao vender uma termelétrica em Fortaleza para a Eneva.

(Por Letícia FucuchimaEdição de Eduardo Simões e Marta Nogueira)