Enel vende termelétrica para Eneva e sai do setor de gás no Brasil

A Enel Brasil anunciou nesta sexta-feira a venda da Central Geradora Térmica Fortaleza (CGTF –TermoFortaleza) para a Eneva por R$ 467 milhões. Com o negócio, a subsidiária brasileira do grupo italiano deixa o setor de gás no país e passa a ter em seu portfólio apenas operações de energia renovável (eólica, solar e pequenas centrais hidrelétricas).

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Já a Eneva (ex-MPX, empresa de Eike Batista que atuava no setor de energia) vai no caminho inverso. No início do mês, a empresa acertou a compra de uma térmica, também movida a gás natural, em Sergipe. A recém-comprada Centrais Elétricas de Sergipe (Celsepar) é apontada como uma das maiores da América Latina.

A companhia tem um parque de geração termelétrica com 3,7 gigawatts (GW) de capacidade instalada, o que corresponde a 6% da geração térmica a gás do Brasil, segundo informações de seu site.

A CGTF faz parte do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, e era a única usina térmica da Enel no Brasil. A usina produz energia em um ciclo combinado de gás e vapor. Com capacidade de geração de 327 MW, possui 1,2 km de linha de transmissão em alta tensão (230 kV).

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A termelétrica tem contrato de comercialização de energia com a distribuidora Companhia Energética do Ceará, celebrado em 31 de agosto de 2001 e com vigência até 2023. Em 2021, a unidade registrou receita operacional líquida de R$ 1,7 bilhão e geração de caixa de R$ 580 milhões, segundo a Eneva.

Além dos R$ 467 milhões, a operação anunciada hoje também prevê pagamento adicional, atrelado à contratação futura da energia comercializada pela usina, que pode chegar a até R$ 97 milhões.

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O negócio está em linha com o compromisso do grupo Enel de zerar suas emissões de carbono até 2040 e com o plano de triplicar sua capacidade renovável global até 2030. No mundo, o conglomerado vai abandonar o carvão em 2027 e o gás, em 2040.

No Brasil, o grupo Enel tem uma capacidade instalada total renovável de 4,7 GW, dos quais mais de 2,2 GW são de energia eólica, cerca de 1,2 GW de energia solar e cerca de 1,3 GW de energia hídrica.

A conclusão da venda está prevista para ocorrer no terceiro trimestre de 2022. Mas ainda depende do aval do Conselho de Administração da Enel e de seus acionistas, além da aprovação do órgão antitruste brasileiro, o Cade.

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O valor final do negócio "está sujeito a ajustes de acordo com a prática padrão de mercado para esse tipo de transação", disse a Enel em nota.

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