Enem 2019: professores dizem que prova de Ciências da Natureza ficou mais fácil; Matemática ficou mais complexa

Gisele Barros, Johanns Eller, Madson Gama e Matheus Rocha
Estudantes na Uerj, local de prova do Enem 2019

Professores inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que fizeram a avaliação do segundo dia de provas avaliaram que os conteúdos de biologia e química deste ano foram mais fáceis do que nas edições anteriores. As provas de matemática e física, por sua vez, se mostraram mais complexas, exigindo que os alunos passem mais tempo em cada questão.

O professor de química do pré-vestibular Descomplica Allan Rodrigues afirma que caíram questões clássicas de eletroquímica, termoquímica e estequiometria. Houve ainda algumas surpresas, como questões de modelo atômico, conteúdo que não costuma cair.

Além disso, apenas duas questões exigiam que o aluno fizesse contas: 

— Em relação ao ano passado, essa prova estava mais tranquila. Na minha opinião, como não cobrou tanta conta, a prova de química acabou ficando mais fácil. A única surpresa que teve foram mesmo as questões de modelo atômico.

Marcus Aurélio, professor de Química do COC Atibaia, as questões da disciplina estavam mais fáceis do que nas edições anteriores do Enem. Aurélio destacou a cobrança de temas ambientais, como a formação do solo.

— Não houve questões capciosas ou polêmicas, e poucas remetiam a outras matérias, como a geografia. O aluno que soube interpretar as questões pode ter um bom desempenho — analisa o docente.

Na avaliação do professor Luiz Edgar, apesar de conteudistas, as questões deste ano estavam "bem tranquilas". Para ele, o nível de dificuldade estava equilibrado, sem alteração significativa em comparação com os outros anos.

— A prova incluiu questões sobre química orgânica, com perguntas relacionadas a assuntos ambientais, eletroquímica e estequiometria, que envolve cálculos. Também houve perguntas envolvendo situações cotidianos, como uma que abordou a correção de acidez do solo — explica Luis Edgar.

Luiz Edgar que também teve questões interpretativas, como uma sobre compostos orgânicos:

— Você tinha que justificar a semelhança que alguns compostos apresentavam que daria determinada característica aos corantes. Não tinha uma base científica tão significativa para chegar a uma resposta correta. Era mais por exclusão mesmo.

Já no caso de Matemática, o professor Felipe Freire, do Sistema SOC de Ensino, avalia que a cobrança superou a dos anos anteriores. As questões ficaram, na sua avaliação, mais complexas:

— O conteúdo foi muito extenso, e a prova cobrou muita coisa que não havia sido cobrada antes. Caíram duas questões de logaritmo, que não se cobra tanto. Em geometria espacial, houve uma cobrança de cilindro. Também caíram muitas questões de conversão de medidas também caiu muito, inclusive de pés, que não é uma medidas nacional — relata Freire.

Diferente do Enem 2018, a prova deste ano diminuiu o número de enunciados diretos, que exigem um raciocínio mais objetivo. Por isso, para Freire, os vestibulandos tendem a passar mais tempo fazendo a prova:

— Chamou atenção a quantidade de exercícios truncados. Neles, você começa de um jeito, mas te levam para um valor utilizado para executar o comando do enunciado. Grande parte dos exercícios não tinham execução direta, aumentando a dificuldade — explica o professor de matemática. — Havia questões dedutíveis, mas o conteúdo foi muito bem cobrado. 

Freire elogiou o enunciado que fez menção aos aplicativos de relacionamento, como o Tinder, por aproximar o candidato de um tema relacionado ao seu cotidiano:

— Uma questão muito interessante relacionou a geometria analítica ao Tinder. Ela traz o Enem para a atualidade. Relacionou o candidato ao "match" em relação à posição dele no plano cartesiano. Foi uma questão interessantíssima, de cálculo leve, mas muito bem elaborada.

O professor de biologia Rubens Oda, do Descomplica, afirmou que as questões desta disciplina estavam mais conteudista que nos outros anos.

— Alguns temas que sempre caem, como ecologia, apareceram em duas questões. Uma falava sobre a competição entre cotias por sementes. Já a outra era sobre agricultura orgânica, abordando como pragas são controladas na ausência de agrotóxicos. Em citologia tivemos questões mais interpretativas, como um que tratou do transporte de membrana, em que batatas retiram o sal do feijão através da difusão — explicou o biólogo.

Oda disse que a dificuldade da prova de ciências da natureza foi bastante sentida em física. Já química, que segundo ele exigiu menos cálculos, com questões mais diretas, ajudou a equilibrar o nível do exame.

—  A prova tentou balancear o conteúdo do cotidiano do aluno, mas demonstrou que ciências da natureza exige um estudo mais profundo dos estudantes para que se atinja um bom resultado — avaliou.

Ainda sobre biologia, a professora Brunna Coelho, do Sistema COC, disse que não houve surpresa na prova de Biologia desse ano. Segundo ela, a avaliação manteve o padrão de edições anteriores, com conteúdos que já eram esperados pelos estudantes como ecologia, meio ambiente e genética.

— Tinha uma questão de sobre sistema excretores, que cai todo ano, por exemplo. Outro ponto interessante foram as questões que conversavam com conteúdos da química, uma era sobre PH e outra sobre impermeabilidade de membrana — contou a docente.

A docente destacou que havia uma questão sobre imunologia, acerca do desenvolvimento de vacinas e ressaltou a inclusão de perguntas sobre o descarte correto de medicamentos, o que mostra que foram cobrados conteúdos diversos da disciplina.

— De maneira geral, sem surpresas. Acho até que a prova estava um pouquinho mais fácil do que no ano passado. Quem estudou vai se dar bem, certeza — avaliou a professora.

De acordo com Leonardo Gomes, professor de física do curso Descomplica, caíram questões de energia, circuíto eletrônico e coloração aplicada ao daltonismo.

— Foram cobrados também assuntos que nunca haviam caído, como fluxo de calor usando a ideia de condutividade de maneira matemática.

O docente considera que, em comparação com outros anos, a prova apresentou um nível maior de dificuldade.

— Caíram questões de movimento uniforme em drones, um tema que não é tranquilo. O aluno precisa ter alguma "sacada" para conseguir resolver. O exame estava mais difícil e o perfil da prova mudou um pouco — avalia o professor, destacando, porém, que não havia questões com o objetivo de confundir ou ludibriar os candidatos. — Ainda assim estava difícil. Às vezes o enunciado era pequeno, mas a questão era complicada.