Enem 2021 tem queda na inscrição de candidatos pretos, pardos e indígenas

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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JANUARY 17:  A student adjusts her protective mask as waiting at the Rio de Janeiro State University (UERJ) for the National High School Exam (ENEM) on January 17, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. Despite 15 Brazilian states showing an increase in the number of deaths from Coronavirus (Covid-19), the government maintained the exam and 5.7 million candidates are confirmed.  (Photo by Andre Coelho/Getty Images)
Foto: Andre Coelho/Getty Images
  • Número de estudantes PPI caiu mais de 50%

  • Edição deste ano da prova tem recorde negativo de número de inscritos

  • Presidente da UBES afirma que esse é o resultado da negligência com educação na pandemia

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2021 teve o menor número de inscritos desde 2007, muito por causa da pandemia. Se não bastasse, caiu também a proporção de candidatos negros, pardos e indígenas em relação à inscrição para a edição do ano passado.

O levantamento foi realizado com base nos microdados dos inscritos para a prova de 2021 pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), realizado a pedido da emissora Globonews.

A edição de 2020 teve cerca de 2,7 milhões de inscritos pardos - Em 2021, foram 1,3 milhão, o que representa uma redução de 51,7%. Já em relação a estudantes pretos, a queda foi de 53,1% e a de indígenas, 54,8%.

A queda de inscritos brancos foi menos expressiva: 35,8%.

Além disso, a proporção total de estudantes pretos, pardos e indígenas também caiu. Em 2020, eram 63,2% dos candidatos, enquanto este ano eles representam 56,4% do total. Já os inscritos brancos foram de 34,7% do total de estudantes em 2020 para 41,5% em 2021.

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A Samesp afirmou que essa redução aponta para um retrocesso em relação à inclusão e diversidade de alunos no ensino superior. Isso porque o Enem representa a principal forma de ingresso nas universidades públicas do país.

Para Rozana Barroso, presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), tanto o baixo número de inscritos, quanto a queda na participação de estudantes pretos e indígenas, são resultado da “negligência de quem não garantiu acesso à educação durante a pandemia”.

“É uma grande perda não só para esses estudantes e suas famílias, porque a educação é um meio de transformação da vida desses jovens brasileiros, mas também uma grande perda para o Brasil, porque não há país que avance quando a educação retrocede”, avaliou Rozana.

A UBES critica principalmente a falta de ação do governo federal para garantir o acesso à internet para que alunos conseguissem acompanhar as aulas virtuais, e também a falta de programas para suprir a alimentação dos estudantes, que costumam depender da escola para comer.

Em março deste ano, por exemplo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetou na íntegra um projeto que previa assegurar internet gratuita para alunos e professores da rede de educação pública.

O dado é preocupante quando pensamos que mais de 4 milhões de estudantes brasileiros entraram na pandemia do coronavírus sem acesso à internet. Ao fim de 2019, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), eram 4,3 milhões de alunos sem conseguir navegar na rede. A pesquisa considerou uso por celular, computador, tablet ou televisão.

Menor número de inscritos na prova

A edição de 2021 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve 4.004.764 pessoas inscritas, segundo informou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que aplica a prova.

Esta é a menor quantidade de inscritos desde o Enem 2007, quando 3,57 milhões de estudantes fizeram a inscrição.É a menor quantidade de inscritos também desde 2009, quando o Enem passou a ter o formato que tem até hoje.

Em relação a 2020, o número de inscritos é 34% menor. No ano passado, foram 6,1 milhões de inscritos e 5,8 milhões realizaram o exame.

Em 2021, diferente de como foi feito ano passado, as provas impressas e digitais serão aplicadas nos mesmos dias: 21 e 28 de novembro. Além disso, elas terão as mesmas questões. O Enem digital será exclusivo para candidatos que já concluíram o ensino médio ou estão concluindo em 2021.

Dos inscritos, 3.903.664 deverão fazer a versão impressa. Já a versão digital teve as 101.100 vagas ofertadas preenchidas.

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