Enem 2022 tem 32,4% de abstenção

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) registrou um índice de 32,4% de abstenção, uma das maiores taxas de faltosos desconsiderando o Enem 2020, realizado durante a pandemia, quando 55,3% dos inscritos não participaram.

Em relação ao número de presentes, dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que realiza o exame, mostram que apenas 2.351.513 estudantes compareceram à prova, cerca de um terço dos 3.476.226 inscritos. Considerando as edições a partir de 2005, o número só não é menor do que o verificado no ano passado, quando apenas 2,2 milhões fizeram o exame.

Durante coletiva de imprensa, o ministro da Educação, Victor Godoy, minimizou os dados e afirmou que a Controladoria-geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) investigam a ocorrência de supostos números inflados de participantes em edições passadas. Godoy não deu detalhes sobre a apuração que, segundo ele, está sob sigilo. A queda no número de participantes do Enem é uma das preocupações do grupo da transição do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. A visão é de que o governo de Jair Bolsonaro esvaziou o exame.

– Tivemos um período de pandemia no meio do caminho e esse período certamente trouxe desafios não só para o Enem, mas para toda educação brasileira e isso certamente tem um efeito na redução do número de inscritos. Vamos lembrar que todo ano formam-se em média 2 milhões de alunos no ensino médio, segundo dados do Censo de 2021. E tivemos neste ano 3,4 milhões de inscritos e 2,4 milhões de participantes efetivos, que fizeram a prova . O número de participantes supera o número de estudantes que finalizam o ensino médio – justificou o ministro da Educação, Victor Godoy.

De acordo com ele, a queda no número de participantes não foi decorrente da atuação do instituto. Durante o governo de Jair Bolsonaro o Inep viveu sua maior crise institucional desde sua criação. No ano passado, às vésperas do Enem, quase 40 servidores pediram exoneração de seus cargos de coordenação com denúncias ao ex-presidente do órgão Danilo Dupas. Na coletiva de imprensa, o ministro da educação fez uma "menção elogiosa" a Dupas.

– O elogio ao ex-presidente Danilo foi porque ele fez realmente uma gestão de melhoria significativa da governança do instituto. Inclusive tendo identificado várias situações que foram encaminhadas para apuração e investigação da CGU e do Tribunal de Contas da União (TCU), uma delas o próprio número de participantes do Enem, que tem uma investigação em curso de possibilidade de números inflados de inscritos no Exame. Isso está em apuração pela CGU e pelo TCU, pode ser uma das razões que explique essa redução (no número de participantes) também – afirmou Godoy.

O ministro não quis detalhar quais edições do Exame estariam sob apuração da CGU e do TCU em relação ao número de inscritos.

– Foram levantados alguns indícios de manipulação das inscrições, de inscrições infladas nas bases do Inep. Isso foi tudo encaminhado para os órgãos de controle para apuração – disse.

Principal porta de entrada do ensino superior, o Enem passou por percalços nas três primeiras edições feitas sob o governo de Jair Bolsonaro. Neste ano, com o servidor de carreira o Inep Carlos Moreno no comando do instituto, a prova ocorreu sem falhas.

O GLOBO procurou a CGU e o TCU para obter detalhes da investigação, mas ainda não obteve retorno.