Enem: Após declaração de Bolsonaro, Câmara quer ouvir ministro da Educação por suspeita de interferência

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BRASILIA, BRAZIL - SEPTEMBER 16: Minister of Education of Brazil, Milton Ribeiro, reacts before the ceremony in which Eduardo Pazuello takes office as Minister of Health amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the on September 16, 2020 in Brasilia. Pazuello took over as interim minister on May 16 this year. Brazil has over 4.382,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 133,119 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Parlamentares da comissão de Educação devem votar hoje convocação de Milton Ribeiro (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
  • Comissão de Educação da Câmara dos Deputados deve votar nesta terça a convocação do ministro da Educação, Milton Ribeiro

  • Parlamentares querem explicações sobre a saída em massa de funcionários do Inep, órgão responsável pelo Enem

  • Situação foi agravada após declaração do presidente Jair Bolsonaro, que disse que o Enem teria "a cara do governo"

A declaração feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirmando que o Exame Nacional do ensino Médio (Enem) teria “a cara do governo”, chamou atenção da comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Agora, parlamentares querem convocar o ministro da Educação, Milton Ribeiro, para dar explicações.

Segundo informações do jornal O Globo, os deputados querem entender o motivo da debandada de servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela elaboração do Enem. O programa Fantástico, da TV Globo, revelou depoimentos de servidores relatando pressões e tentativa de censura nas questões da prova.

A votação do pedido de convocação do ministro deve acontecer nesta terça-feira (16) na comissão de Educação. Presidente do comitê, a deputada professora Dorinha (DEM-TO) afirmou que Milton Ribeiro já se comprometeu a comparecer.

Ao jornal O Globo, o deputado Israel Batista (PV-DF), presidente da Frente Mista da Educação avaliou que a fala de Jair Bolsonaro foi uma confissão de culpa. Batista foi um dos três deputados que pediu a convocação de Milton Ribeiro.

“A frase do presidente é uma assinatura de culpa, a prova que eles não têm a menor noção. O presidente comprovou o que estamos denunciando há meses, que há interferência política na prova do Enem”, declarou. “Não é papel do Enem ter cara de governo A ou B. A prova é uma política de Estado.”

Líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), avaliou que a qualidade do Enem está em risco. “Quando Bolsonaro interfere politicamente em uma prova como o Enem, coloca em risco a qualidade do exame e o futuro de nosso país. Nós, da oposição, vamos propor a convocação dele”, disse o deputado.

O presidente do Inep, Danilo Dupas, foi à Câmara na última quarta-feira, em um acordo costurado pela Câmara e pelo governo federal para poupar Milton Ribeiro. Dupas declarou que a saída dos funcionários era uma “questão interna” e deu poucas explicações, deixando deputados insatisfeitos.

O Enem acontece nos dois próximos domingos, 21 e 28 de novembro.

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