Enem: conheça 10 temas da pandemia da Covid-19 que podem aparecer no exame

Bruno Alfano
·4 minuto de leitura

RIO - A Covid-19 deve aparecer no Enem, avaliam professores de Biologia, na prova de Ciências da Natureza. Segundo Felipe de Araújo, que dá aulas no Centro Educacional Anísio Teixeira (Ceat), e Eduardo Galves, coordenador da disciplina no Colégio Pensi, avaliam que dez temas da pandemia podem surgir no exame.

O tema de 2020 pode aparecer no Enem. Segundo o professor de Biologia do Centro Educacional Anísio Teixeira, Felipe de Araújo, e o coordenador de Biologia do Colégio Pensi, Eduardo Galves, algumas questões envolvendo o coronavírus podem surgir na prova de Ciências da Natureza. Entre eles, estão epidemiologia, genética, higiene e funcionamento de vacinas.

O professor Felipe de Araújo afirma que, no ensino médio, conceito da epidemiologia são ensinados, como a diferencia de epidemia, pandemia e endemia. "Acredito que questões do Enem podem trabalhar com isso, com a classificação de doenças do ponto de vista epidemiológico. A dengue, por exemplo, é uma doença endêmica; atualmente, a estamos passando por uma epidemia de sífilis; e temos a pandemia do coronavírus, da Covid-19", afirma.

Araújo afirma que as origens da vacina e a velocidade com que um imunizante está sendo produzido contra a Covid-19 são possíveis temas a serem abordados. "O aluno precisa entender a vacina como um mecanismo importante de saúde pública, sendo a principal política de prevenção; os conceitos de profilaxia e prevenção; e também o funcionamento de um imunizante no corpo".

Tema cobrado com frequência no Enem, o professor Eduardo Galves afirma que os soros representam uma imunização passiva por já conterem anticorpos contra os agentes patogênicos e as vacinas representam uma imunização ativa. "Ou seja, de alguma maneira estimulam o próprio organismo a produzir seus próprios anticorpos", afirma.

Esse é um dos temas mais cobrados no Enem, afirma Galves. "A imunidade inata é aquela que apresentamos desde o nascimento, como por exemplo, queratina da pele, ácido do estômago e células chamadas de ILCs. São barreiras genéricas e não geram memória. Já a imunidade adquirida é a que desenvolvemos durante a vida quando entramos em contato com antígenos. Nesse momento é que geramos os anticorpos e a memória imunológica", explica.

Felipe de Araújo afirma que é preciso saber sobre o vírus e a atuação dele no corpo humano. "Estamos falando sobre mutações no DNA e variedades genética", afirma o professor.

O professor do Pensi afirma que o Sars-CoV-2, causador da Covid-19, é um vírus de RNA envelopado assim como o vírus da gripe comum (chamado Influenza). "A principal diferença é que os demais vírus causam sintomas muito rápido. Por isso foi mais fácil conter o H1N1, em 2009. No caso do vírus da Covid-19, os sintomas demoram demais para aparecer, portanto as pessoas assintomáticas espalham o vírus sem saber" afirma.

“O aluno precisa entender como o vírus é transmitido e como se proteger, ou seja, mecanismos preventivos ou profiláticos", afirma o professor do Ceat. Segundo ele, os vírus podem ser transmitidos pelo diferentes meioa: o ar, como a Covid-19; vetores como mosquito, no caso da dengue, chikungunya e febre amarela; pelo contato sexual, como o HIV; e outras formas de contágio. "O sabão tem uma ação sobre a cápsula de alguns vírus, como o Sars-CoV-2, desagregando a estrutura dele. Uma questão poderia ser feita a partir deste tópico,em função da ação dos sabonetes e desinfetantes", diz.

Araújo afirma que também cabe estudar a síntese de proteínas. Os vírus usam esse processo parasitando células de hospedeiros. Existem algumas especificidades, que são os seis tipos principais de vírus São classificados em função do seu material genético e metabolismo. Alguns vídeos são DNA, alguns vídeos são RNA, alguns vírus tem capsídeos de determinadas características, outros com outras. Uma estrutura bastante interessante é a presença de uma enzima exclusivamente resistente no HIV. Esse tipo de questão de conteúdo pode gerar questões comparando o vídus da Covid-19 com o da Aids porque são duas pandemias virais sem cura ainda determinadas", explica.

Segundo Galves, vírus são parasitas intracelulares obrigatórios. "Isso quer dizer que sempre precisam estar dentro das células dos hospedeiros para fazer qualquer coisa. É nesse momento que as viroses causam os sintomas. Ou por controlar o mecanismo celular ou por provocar a própria morte da célula se reproduzindo", diz.

Galves afirma que esses são os dois principais anticorpos ou imunoglobulinas produzidos na Covid-19. "O IgM é o primeiro tipo de anticorpo produzido, mas ele não fica muito tempo no organismo. Já o IgG começa a ser produzido 15 dias depois do contato com o vírus e em geral é um anticorpo de longa duração, podendo durar mais de 10 anos. O problema é que na Covid-19 não sabemos quanto tempo esse anticorpo está se mantendo ativo nas pessoas", explica.