Enem: entidades estudantis comemoram o adiamento do exame

Gabriela Oliva
Entidades estudantis, UNE e UBES, comemoram o adiamento do Enem.

RIO – As entidades estudantis, União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), celebraram o adiamento das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), anunciada na tarde deste quarta-feira (30) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As provas ocorrerão no período de 30 a 60 dias em relação às datas previstas. O cronograma previa aplicação das provas presenciais em 1 e 8 de novembro, e das provas virtuais nos dias 22 e 29 de novembro.

“Nas últimas semanas a UNE e UBES fizeram uma pressão contínua pelo adiamento do cronograma do Enem 2020, tanto das provas quanto das inscrições, com grande protagonismo dos estudantes nas redes sociais levando a tag #AdiaENEM aos assuntos mais comentados da internet diversas vezes, com um abaixo assinado de mais de 350 mil assinaturas, ações na justiça, além de mensagens aos parlamentares. A votação no Senado, por 75 votos a 1, e o recuo do MEC e do INEP com o anúncio oficial do adiamento das datas, representam grandes vitórias, fruto dessa intensa pressão dos estudantes e mais uma derrota para Bolsonaro e o Weintraub, reforçando a incapacidade deste governo para tratar a Educação. Hoje a UBES e a UNE comemoram esta vitória de todos estudantes e seguem na luta e atentas. As novas datas devem ser definidas a partir da análise do calendário escolar e tendo como base a formação de uma comissão que envolva representação de estudantes, professores, secretários de educação, profissionais da saúde, reitores, e outras organizações da área da educação em conjunto com o MEC e o INEP”, reitera a nota assinada pelos líderes estudantis Iago Montalvão e Rozana Barroso.

Resultado do adiamento é positivo, avalia especialista em educação

A doutora em Educação pela PUC-Rio Jacqueline Sobral comenta o impacto da decisão para os estudantes:

— Diante do cenário de desigualdade social e econômica no país, o reflexo é positivo. Muitos estudantes de baixa renda, que já em uma "situação normal" saem atrás nessa corrida do vestibular em relação aos inscritos com maior poder aquisitivo, não têm internet ou possibilidade de acessar materiais didáticos. É ilusão também achar que esses alunos têm livros em casa para estudarem de maneira analógica, ou um mínimo de espaço adequado para o estudo, já que muitas famílias grandes convivem em ambientes pequenos. No entanto, há o psicológico também. O medo em relação ao vírus não tem classe social, mas muitos desses estudantes vivem realidades em que o risco de contágio é ainda maior — comenta.

A especialista pondera que a decisão deveria ter acontecido há mais tempo:

— A decisão do Ministério da Educação foi acertada. Agora, esse adiamento já poderia ter acontecido. Faltou sensibilidade e discernimento por parte do MEC — admite.