Enem, homossexuais, deficientes e pastores: as crises de Milton Ribeiro no MEC

Milton Ribeiro foi preso nesta quarta-feira (22), suspeito de tráfico de influência (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
Milton Ribeiro foi preso nesta quarta-feira (22), suspeito de tráfico de influência (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Preso na manhã desta quarta-feira (22), Milton Ribeiro ocupou o cargo de ministro da Educação entre 16 de julho de 2020 e 28 de março. Além da suspeita de tráfico de influência, o que levou a detenção de Ribeiro, a gestão do pastor passou por outras crises importantes, como declarações homofóbicas e a negação de ensino superior para pessoas mais pobres.

Famílias “desajustadas”

Em setembro de 2020, em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Milton Ribeiro deu uma declaração homofóbica, quando atribuiu a homossexualidade a “famílias desajustadas”.

“Acho que o adolescente que muitas vezes opta por andar no caminho do homossexualismo (sic) tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe. Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem de fato e caminhar por aí”, disse. O termo “homossexualismo” foi erradicado, porque remete a uma doença.

“Convivência impossível”

Durante uma visita a Recife, em agosto de 2021, Milton Ribeiro afirmou que algumas crianças tem “um grau de deficiência que é impossível a convivência”. Antes, o então ministro havia dito que alunos com deficiência atrapalham o aprendizado de colegas.

“Nós temos, hoje, 1,3 milhão de crianças com deficiência que estudam nas escolas públicas. Desse total, 12% têm um grau de deficiência que é impossível a convivência. O que o nosso governo fez: em vez de simplesmente jogá-los dentro de uma sala de aula, pelo 'inclusivismo', nós estamos criando salas especiais para que essas crianças possam receber o tratamento que merecem e precisam”, declarou ao defender o ensino separado para crianças com deficiência.

Após a repercussão negativa, o Ministério da Educação divulgou uma nota pedindo “desculpas a quem se sentiu ofendido”.

Universidade para poucos

Em entrevista à TV Brasil, em agosto de 2021, Milton Ribeiro afirmou que “universidade deveria, na verdade, ser para poucos, nesse sentido de ser útil à sociedade”. Segundo o ministro, o foco da educação brasileira deveria ser o ensino técnico.

“Tenho muito engenheiro ou advogado dirigindo Uber porque não consegue colocação devida. Se fosse um técnico de informática, conseguiria emprego, porque tem uma demanda muito grande”, afirmou.

Crise no Enem

Outro problema que marcou a gestão de Milton Ribeiro foi a realização do Enem de 2021. Houve uma debandada de técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Às vésperas da realização da prova, 37 servidores pediram demissão, após acusar o presidente do Inep, Danilo Dupas, de assédio moral, censura e de se negar a assumir responsabilidades que cabiam ao cargo.

Também se tornaram públicas denúncias de tentativas de interferência em perguntas que estariam no Enem. Funcionários afirmaram que sofreram pressão para evitar questões consideradas “polêmicas”.

Depois, mais de cem colaboradores da Capes deixaram os postos que ocupavam, após denunciarem que não havia respaldo ao trabalho feito pelos pesquisadores.

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