Enem: memes, gírias e estilo de texto de redes sociais não devem ser usados na redação para garantir boa nota, avisam professores

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RIO — A redação do Exame Nacional do Ensino Médio será realizada neste domingo, junto às provas de linguagens e ciências humanas. Categoria de peso na soma da nota do vestibular, o texto dissertativo-argumentativo possui um sistema de pontuação bem definido e rígido quanto ao domínio da norma padrão da língua escrita. Devido ao hábito de textos curtos, cheios de abreviações e pontuação inadequada nas redes sociais, professores de cursinho pré-vestibular aconselham que a revisão do texto é tão importante quanto ter domínio do tema da redação para não perder pontos cruciais.

De acordo com Marina Rocha, professora de redação na Plataforma AZ, a facilidade dos áudios e dos corretores ortográficos no celular são alguns fatores que afetam a qualidade da escrita dos vestibulandos na hora da prova. Alguns acabam esquecendo como usar vírgulas e pontuação, separar sílabas, colocar acentos nas palavras e até letra maiúscula no início das orações. O problema é que cada erro deste é analisado pelos avaliadores, que descontam 40 pontos caso haja três ou mais discordâncias.

— Cada uma das cinco competências da redação vale 200 pontos. Na competência 1, que analisa gramática, só tira nota máxima quem não tem erros ou tem até duas discordâncias, como problemas de uso de uma crase e uma vírgula. Caso o aluno erre uma crase, uma vírgula e uma concordância, a nota já cai para 160. Como cada pontinho importa, a atenção neste momento é essencial — afirma.

A professora ressalta que, apesar do Enem ser voltado especialmente para jovens, o uso de gírias, memes e abreviações não é permitido, por não seguir a norma culta da língua portuguesa. Ela orienta que o tamanho do texto deve ter no máximo 30 linhas, distribuídas entre quatro parágrafos (introdução, dois parágrafos de desenvolvimento e conclusão) para ficar acima da média nacional, que atualmente é de 588 pontos.

— O Enem não pede uma norma ultracoloquial, mas é preciso escrever na norma ortográfica padrão. Gírias, marcas da oralidade como escrever “numa”, ao invés de “em uma”, ou “pra”, ao invés de “para”, desconta pontos preciosos. Além disso, o texto precisa obrigatoriamente respeitar o modelo dissertativo-argumentativo, com escrita coesa e com conectivos como “porém”, “portanto” — explica Marina.

Estruture a redação antes de escrever

Um dos pontos essenciais para não perder tempo na hora da redação é organizar os tópicos que deseja abordar antes de começar a escrever. Após uma leitura dinâmica dos textos de apoio apresentados na prova, o vestibulando deve pensar nos principais problemas que o tema gera na sociedade e seus impactos, para, então, aliar as informações. Um ponto de atenção nesta etapa é que não podem ser copiadas três ou mais palavras das referências textuais dadas pelo Enem, pois desconta pontos.

— Pensar enquanto escreve só vai prejudicar. Visto que o aluno tem cerca de uma hora para fazer a redação, é ideal planejar os dados e buscar referências antes para não correr o risco de se contradizer ou gastar espaço de papel com informações irrelevantes. Pode retirar partes do texto para embasar o assunto, mas devem ser parafraseadas, ou seja, você escreve a mesma coisa, mas com outras palavras — orienta Marina.

Quanto ao modelo da redação, é fundamental que o estudante apresente dois parágrafos com possíveis problemas e consequências sobre o tema, lembrando de aliar dados históricos e de pesquisas. Por fim, deve-se apresentar uma conclusão, com sugestões de resolução do conflito.

— O aluno pode trabalhar o desenvolvimento com dois problemas referentes ao tema ou um problema e uma consequência. Isso vai depender do tema da redação. Percebemos que as notas acima de 940 seguem esse modelo. O conhecimento cultural do aluno também é bem visto na prova.

Possíveis temas de redação

De acordo com o professor de Língua Portuguesa e Redação Rian Geraisste, apesar das instabilidades do Enem 2021, ocasionadas pela exoneração em massa do Inep e pelo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro sobre supostas mudanças ideológicas na prova, a expectativa é que o tema da redação não fuja do “padrão Enem”. Contudo, ele ressalta que o aluno não deve dar sua opinião política na prova, mas apresentar dados que comprovem sua visão sobre o assunto da discussão.

— Os alunos estão bem assustados, mas o ideal é não levar posicionamentos polêmicos para os argumentos do texto. Eles têm que manter a serenidade e fazer uma abordagem ampla sobre o tema, lembrando que o Enem normalmente direciona o vestibulando para um ponto de vista. Como foi o caso do tema sobre os caminhos para o combate ao racismo e à intolerância religiosa. Ou seja, deve-se apenas pensar em soluções democráticas e aplicáveis em sociedade a curto, médio e longo prazo — explica Rian.

Para o Enem 2021, o professor aposta em temas sobre educação atrelados aos impactos da pandemia, como o ensino híbrido, e assuntos sobre tecnologia.

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