Enem: ministro diz que exonerações no Inep não vão atrapalhar exame e nega saída do presidente do instituto após as provas

·2 min de leitura

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, tentou minimizar nesta terça-feira, 16, a crise interna do Inep, instituto responsável pelo Enem, e afastar as suspeitas de interferência política no exame, depois de o presidente Jair Bolsonaro ter dito que as questões da prova “começam a ter a cara deste governo”. Durante uma visita à Câmara dos Deputados, Ribeiro atribuiu o pedido de exoneração coletiva de coordenadores do instituto, na semana passada, a uma mudança no pagamento de benefícios pelo presidente do Inep, Danilo Dupas.

Leia também:

Antes de ir ao Congresso, o ministro foi com Dupas encontrar o ministro da Justiça, Anderson Torres, para discutir procedimentos de segurança no Enem. Na saída, Ribeiro disse que as exonerações no Inep não vão atrapalhar o exame e negou ingerência política nas questões, como acusaram servidores na reportagem do “Fantástico”, no domingo.

— As provas estão impressas há três meses. Em nenhum momento, nem o presidente da República, o presidente do Inep ou o ministro interferiram na escolha das perguntas. Todas elas foram escolhidas por esses que estão pedindo para sair. A prova vai ter a cara do governo, sim, de seriedade e honestidade e de fazer as coisas com o máximo de competência possível — disse o ministro, dando um novo sentido à frase do presidente.

Já há três pedidos de convocação de Ribeiro para explicações sobre a crise no Inep: na Comissão da Educação, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e no plenário.

Deputados da oposição pediram nesta terça-feira, 16, o afastamento cautelar do presidente do Inep ao Tribunal de Contas da União e uma auditoria de acompanhamento do Enem. Na ida à Câmara, Ribeiro defendeu Dupas. Disse que o subordinado é um “excelente profissional” e negou sua saída após o Enem, marcado para os próximos dois domingos, 21 e 28.

Gratificações

Segundo Ribeiro, 35 dos 37 coordenadores demissionários recebiam gratificações por terem feito curso ou trabalhado em concurso, benefício mudado em setembro por Dupas. O ministro disse que a gratificação chegava a até R$ 80 mil por ano, para algum destes servidores.

— Nada a ver com educação, nada com as provas, tudo a ver com a questão administrativa, de pagamento ou não de gratificação — afirmou o ministro na Câmara: — A questão esbarra na questão do GECC, que é a gratificação por cursos, quem deve e quem não deve (ganhar). Isso fez com que alguns funcionários, merecidamente e corretamente, recebessem até R$ 80 mil por ano de salário a mais. Esse é o ponto que está sendo discutido. A questão não é educacional. É econômica.

A associação dos servidores do Inep disse que o movimento não tem a ver com gratificação.

— Se o ministro for procurar conhecer os servidores do Inep, ele vai saber que isso não é uma realidade. O que está acontecendo é um clima de insatisfação generalizada, desconfiança e insegurança — disse Alexandre Ratamal, presidente da associação, para quem a declaração de Bolsonaro comprova a interferência política no Enem.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos