Enem: primeiro dia de provas tem 26,7% de abstenções

O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022, neste domingo, registrou 26,7% de abstenção em relação ao número de inscritos, índice maior do que o verificado em 2021. Segundo o balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, dos 3,4 milhões de inscritos, cerca de 2,5 milhões participaram do primeiro dia de aplicação.

No ano passado, o índice de faltosos no primeiro dia foi de 26% dos 3,1 milhões de inscritos. A maior abstenção registrada no Enem ocorreu na edição de 2020, que foi realizada em 2021 devido à pandemia, quando 51,5% dos inscritos não fizeram a prova.

De acordo com o Inep, 2.458.504 candidatos fizeram o Enem impresso enquanto 32.376 participaram da versão digital do exame. Considerando o índice de faltosos apenas na prova em papel, foram 27,9%. No Enem digital, a abstenção foi de 51,3%.

Em relação ao Enem impresso, o estado com maior número de faltosos foi o Amazonas, com abstenção de 43,2% dos inscritos. Já no Enem digital, Goiás foi a unidade da federal com maior índice de faltosos, chegando a 55,3% dos candidatos ausentes.

Neste domingo, os estudantes tiveram de responder 90 questões de duas áreas do conhecimento: Ciências Humanas e suas tecnologias, e Linguagens e suas tecnologias. Além disso, os candidatos tiveram de escrever uma redação sobre o tema "Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil". No domingo que vem, os estudantes fazem prova de Ciências da Natureza e suas tecnologias, e de Matemática e suas tecnologias. O gabarito do exame será divulgado pelo Inep no dia 23.

Neste domingo, o educador Daniel Cara, que colabora com o núcleo de educação da transição, parabenizou os servidores do Inep pelo trabalho desempenhado na prova. Ele elogiou o corpo técnico do instituto "pela enorme capacidade que tiveram de manter o Enem um Enem bem construído, muito forte, e que nessa edição com todos os problemas teve a coragem e a capacidade de demarcar uma redação essencial para o país relacionada às comunidades tradicionais".

O Enem tem registrado queda no número de participantes desde 2016. Como O GLOBO mostrou, a redução é um dos pontos que preocupa o governo eleito. A percepção é de que a gestão de Jair Bolsonaro esvaziou o Enem e é preciso reverter o quadro.