Energia renovada na Semana de Moda de Nova York

Por Thomas URBAIN, Laura BONILLA
1 / 4
Desfile da marca Carolina Herrera em Nova York

A Semana de Moda de Nova York teve sua energia renovada nos desfiles de grandes marcas como Carolina Herrera e a cada vez mais famosa Zero+María Cornejo, além de estilistas emergentes como Sandy Liang e Víctor Barragán.

- A cura da juventude em Carolina Herrera -

Para sua terceira coleção à frente da marca desde a aposentadoria de sua fundadora, o estilista Wes Gordon deu movimento à marca, mas sem grandes revoluções.

Nesse temporada surgiram comprimentos curtos e muito curtos, uma novidade na marca que sempre preferiu vestidos e saias longas.

Inspirado na temporada de primavera na Califórnia, Wes Gordon também misturou cores no estilo "tie-dye", uma novidade para a marca qu sempre optou por tons sólidos.

- María Cornejo: a idade da inocência -

María Cornejo, que nasceu no Chile, foi criada na Inglaterra e se considera totalmente nova-iorquina, apresentou uma coleção sustentável e 85% "Made in New York", que busca recuperar o frescor da idade da inocência.

Os modelos - dessa vez homens e mulheres - desfilaram na passarela instalada no terraço do hotel The Standard no bairro de Chelsea em uma tarde de fim de verão. São looks confortáveis de cetim, algodão orgânico, poliéster reciclado e tecidos feitos por uma comunidade de bolivianas. Tudo muito chique, moderno e estruturado.

A coleção se inspirou na "era da possibilidade". "Agora temos as viagens, a tecnologia, a industrialização, então é realmente incrível reencontrar essa era, essa 'ingenuidade' e inocência. Achei que era uma linda maneira de tentar algo novo", disse a estilista em entrevista à AFP após o desfile.

Nomeada pelo estilista Tom Ford, presidente do Sindicato de Estilistas dos Estados Unidos (CFDA) como uma das novas integrantes, Cornejo disse que defenderá em seu novo cargo "uma maior sustentabilidade e menor discriminação por idade, além de uma comunidade mais inclusiva".

Na primeira fila de seu desfile estava a cantora mexicana-americana Lila Downs, vestindo uma de suas criações.

Há alguns dias, a atriz Sarah Jessica Parker, da série Sex and the City, usou uma de seus modelos de uma coleção cápsula com a montadora coreana Hyundai, onde Cornejo reciclou bancos de carros.

- Barragán: um toque do México -

Desde suas primeiras coleções em 2016, Víctor Barragán propõe um México diferente dos clichês.

Mais uma vez o estilista, que se mudou para Nova York em 2015, amplia a suposta hipermasculinidade do homem mexicano injetando feminilidade, com camisetas rasgadas ou com grandes decotes.

Barragán propõe o México das discotecas, da festa e da noite, da luxúria com a pele à mostra..

- Sandy Liang e a volta do fleece -

Novaiorquina, Sandy Liang encarna desde o lançamento de sua marca, em 2014, um sentido inato do "cool" em looks que atraem o olhar.

Liang diz que sua inspiração não vem da paisagem, de uma obra ou um artista, mas sim simplesmente de sua família, juventude, de seu bairro.

Desde o início na indústria da moda, Liang trabalha com roupas de inverno, e em 2016 reabilitou o fleece, que passa por um "revival".

"Comecei a fazer porque para mim encarna a nostalgia", diz. "Como quando você é criança e você está brincando e sua mãe joga um casaco nas suas costas. Me divertir fazendo algo para mim".

- Phillip Lim quer elevar a moda cotidiana -

O americano de origem chinesa Phillip Lim apresentou uma coleção utilitária para a primavera 2020, com peças para as ruas adaptadas para várias ocasiões.

"É nosso DNA, essa roupa com a qual trabalhamos e vivemos", disse em entrevista à AFP. "Queremos evoluir o que é um uniforme, fazer alguma coisa mais refinada e alegre".

Macacões, couro, amplitude e grandes casacos impermeáveis aparecem vestindo os homens e mulheres ativos de Phillip Lim, que ficou feliz com o novo calendário mais curto da semana de moda (cinco em vez de sete dias).

"Faz que com a gente leve mais a sério, não deixando a energia se dissipar", diz o estilista.