Enfarte pode matar pessoas com menos de 50 anos; conheça os fatores de risco

Evelin Azevedo
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Segundo dados preliminares do Ministério da Saúde, disponibilizados no DataSus, 7.708 pessoas, com idades entre 30 e 49 anos, morreram no Brasil em 2018 por causa de enfarte. Esta semana, o jornalista e narrador Cadu Cortez, de 40 anos, que trabalhava na plataforma de streaming esportivo DAZN, morreu após um ataque fulminante. Em fevereiro, a funkeira Priscila Nocetti, de 38 anos, também enfartou, mas sobreviveu.

— A taxa de enfarte aumenta com o progredir da idade, mas isso não impede que um indivíduo jovem possa sofrer um evento cardiovascular grave — explica Daniel Setta, presidente do Departamento de Doença Coronária da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro.

O enfarte é caracterizado pela interrupção do fluxo sanguíneo em uma das artérias que irriga o coração. Placas de gordura que se prendem nas paredes dos vasos sanguíneos formam um coágulo que impede a passagem do sangue. Como consequência, o coração deixa de receber oxigênio e para de funcionar adequadamente, podendo causar a morte do paciente.

Sedentarismo, tabagismo, hipertensão e diabetes são alguns fatores de risco. O estresse, segundo Setta, pode ser um gatilho para acarretar o problema.

— A pessoa tem os fatores de risco e pode formar as placas de gordura nas paredes das artérias. No momento de estresse profissional ou pessoal, há uma crise de taquicardia ou hipertensão que pode romper a placa e provocar a obstrução — afirma.

Os sintomas podem ir além da dor e sensação de aperto na região do peito: é possível sentir incômodos nos braços, ombros, nas costas e até no pescoço. A dor começa do nada e não passa. O enfarte ainda pode causar dificuldade para respirar, desconforto abdominal e intestinal, e sudorese.

— O grande problema é não acreditar que seja possível sofrer com um enfarte antes dos 40 anos. Por isso, muitas pessoas negligenciam os sintomas e já chegam sem vida ao hospital. O atendimento de urgência evita complicações — alerta Cyro Rodrigues, cardiologista e chefe do serviço de Hemodinâmica do Hospital São Vicente de Paulo.