Enfermeira líder da causa LGBTQIAP+ em Lorena (SP) morre por complicações de próteses de silicone industrial

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RIO — Uma mulher transexual de 56 anos morreu no domingo, dia 1º, por complicações resultantes das próteses de silicone industrial colocadas quando ela era mais jovem. A morte da enfermeira Monique Fernandes chocou moradores de Lorena (SP), onde ela atuou como coordenadora do centro de infecções sexualmente transmissíveis e fez parte do Coletivo Movimento de Apoio e Acolhimento de Juventudes LGBTQIAP+ (Maaju).

"É com imenso pesar que comunicamos o falecimento de nossa grande companheira Monique Fernandes, que durante anos esteve à frente da Coordenação Municipal de IST/Aids e Hepatites Virais de Lorena", afirma comunicado do Centro de Referência e Treinamento DST/Ainds de São Paulo. "Destacamos o seu vigor, empenho e atenção na condução das ações municipais para o enfrentamento da epidemia de HIV/aids. Além da sua atuação local, Monique colaborava na elaboração de estratégias regionais e do Estado de São Paulo para o fortalecimento da política pública do SUS para às IST/HIV/aids e as Hepatites Virais. Com seu jeito discreto e carinhoso, colaborava nas discussões e proposições técnicas nas reuniões e momentos de partilha de saberes e conhecimentos sobre o cuidar em saúde.A Coordenação Estadual de IST/Aids de São Paulo, manifesta condolências a sua família, amigos e colaboradores".

De acordo com Raphael Fernandes, sobrinho de Monique, o estado de saúde dela se agravou por infecções que começaram a aparecer nas próteses de silicone industrial que ela colocou há anos e que já estava "praticamente necrosando a pele e os músculos". Ele contou que o produto clandestino foi usado numa época em que sua tia era bem jovem e não tinha condições de arcar com um procedimento de qualidade. Como efeito, ela sofreu choque séptico e insuficiência respiratória, acrescentou Raphael.

"Vai em paz tia, te amo e sempre que pude demonstrei... sempre tive orgulho da pessoa que você era, te defendo e sempre levantarei sua bandeira, sua história e sua luta me fazem mais forte. Cresci tendo a educação de três mulheres, minha avó, minha mãe e minha tia Monique. Que Deus possa dar forças pra minha família e especialmente minha avó e minha mãe Nilce Fernandes... lembraremos sempre e com carinho do seu jeito maluquinha de ser. Te amo!", escreveu o sobrinho num post.

Outros amigos e parentes também deixaram postagens de luto com mensagens destacando o quanto ela era querida.

"Muito triste!! Sempre querida dos amigos e do seu trabalho com muito carinho e competência. Grande companheira de trabalho. Meus sentimentos aos familiares", disse uma pessoa no Facebook.

"Será lembrada sempre com muita alegria, era o que irradiava por onde passava", comentou outra.

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