'Enfrentando hooliganismo': como a mídia do Oriente Médio cobriu a proibição de álcool na Copa

A proibição da venda de bebidas alcoólicas no entorno e dentro dos estádios da Copa do Mundo segue dando o que falar. Neste domingo, o grito de "Queremos cerveja!", entoado pela torcida equatoriana no jogo de abertura contra o Catar, roubou as atenções. Mas, enquanto o mundo ocidental se indigna com a medida, entre os árabes o recuo é tratado com um tom bem diferente. O site Doha News, da capital catari, informou a novidade dizendo que o país estava combatendo o hooliganismo.

"Catar enfrenta hooliganismo com proibição de álcool em estádios", diz a manchete da matéria, que fala ainda que a "medida foi destinada a reprimir o vandalismo e promover o consumo responsável".

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Já a versão em árabe do site Al Jazeera, principal veículo do mundo árabe e que é de propriedade do governo do Catar, foi menos enfático no seu posicionamento. O recuo na venda de bebidas alcoólicas foi noticiado de forma neutra, num texto que se limitava a informar. No dia seguinte, contudo, o site publicou uma matéria dando destaque a uma publicação do escritor americano Stephen King. Nela, o famoso autor critica a repercussão em torno das restrições.

"Se você não pode ir a um jogo de Copa do Mundo sem beber, provavelmente tem um problema", postou Stephen King.

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A matéria do Al Jazeera ainda lista interações de pessoas que apoiaram a publicação do escrito americano. Como a jornalista Reem Al-Harmi, que publicou um vídeo associando o álcool à briga entre torcedores.

Fora do Catar, outros sites de países árabes registraram a situação de maneira apenas informativa. O Arab News, da Arábia Saudita, trouxe um bastidor. Segundo uma fonte disse ao veículo, o recuo repentino na venda de bebidas se deveu ao fato de que boa parte do público que foi ao Catar para a Copa era de países do Oriente Médio e do Sul da Ásia. Havia o temor de que a circulação de álcool nos estádios e no entorno tornasse a experiência deles desagradável.