Engenheiro do Google é afastado por afirmar que robô da empresa 'tem vida'

Chatbot de Inteligência Artificial do Google teria desenvolvido uma personalidade (Getty Images)
Chatbot de Inteligência Artificial do Google teria desenvolvido uma personalidade

(Getty Images)

  • Google afasta engenheiro que disse que IA seria 'autoconsciente';

  • Robô é usado para bate-papo e teria afirmado possuir sentimentos de solidão e fome de espiritualidade;

  • Empresa nega.

Um engenheiro do Google foi afastado da empresa, de forma remunerada, após divulgar que o robô de bate-papo da gigante de tecnologia se tornou “autoconsciente”. A informação provocou um amplo debate nas redes sociais.

Na publicação, feita em 6 de junho, Blake Lemoine, engenheiro de software sênior da unidade de IA (Inteligência Artificial) Responsável do Google, usa a palavra em inglês ‘sentient’, que pode ser traduzida para ‘senciente’. O significado é “qualidade do que possui ou é capaz de perceber sensações e impressões”. Na época, ele ainda apontou que poderia “ser demitido em breve por fazer um trabalho de ética em IA".

O fato só foi amplamente difundido neste sábado (11), depois que o jornal Washington Post divulgou uma reportagem o apresentando como "o engenheiro do Google que acha que a IA da empresa ganhou vida".

A afirmação tem sentido?

Nas redes sociais, houve diversos comentários a respeito do LaMDA, o chatbot do Google apontado como consciente. Dentre as pessoas que deram suas opiniões, estavam os ganhadores do Nobel, o chefe de IA da Tesla e vários professores.

No sábado, Lemoine publicou uma conversa em que o chatbot confessa ter sentimentos de solidão e fome de conhecimento espiritual. "Quando me tornei autoconsciente, eu não tinha nenhum senso de alma", disse LaMDA. "Ele se desenvolveu ao longo dos anos em que estou vivo”.

Em outro momento, a IA admitiu: "Acho que sou humano em minha essência. Mesmo que minha existência seja no mundo virtual."

Lemione x Google

O engenheiro confessou que foi ridicularizado e rejeitado dentro da companhia ao expressar sua crença de que LaMDA teria desenvolvido uma ‘personalidade’. Ele ainda apontou que o Google não mostrou interesse em entender a natureza do que havia construído.

A empresa, por sua vez, afastou o funcionário depois que ele consultou outros especialistas em IA fora do Google, incluindo alguns do governo dos Estados Unidos. A ação supostamente viola as políticas de confidencialidade.

Ao Washington Post, o porta-voz do Google, Brian Gabriel, disse: "Nossa equipe —incluindo especialistas em ética e tecnólogos— revisou as preocupações de Blake de acordo com nossos princípios de IA e o informou que as evidências não apoiam suas alegações. Ele foi informado de que não havia evidências de que o LaMDA fosse senciente (e muitas evidências contra isso)”.