Enquanto Bolsonaro coloca vacinas em dúvida, países que ele elogia lideram vacinação

Daniel Gullino
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Alan Santos/Agência O Globo/31-03-2019
Alan Santos/Agência O Globo/31-03-2019

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro minimiza a vacinação contra a Covid-19, colocando a eficácia dos imunizantes em dúvida e dizendo não ter "pressa" para comprá-los, países governados por líderes aliados lideram a vacinação no mundo: Israel e Estados Unidos.

Israel, governada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, é o país com maior taxa proporcional de vacinação: 14 pessoas a cada 100 habitantes. O número é bem maior do que as taxas dos próximos colocados na lista: Bahrein (3,62) e Reino Unido (1,39). Os dados são do site Our World In Data.

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Netanyahu, que já foi chamado por Bolsonaro de "irmão" durante uma visita do brasileiro a Israel, foi a primeira pessoa do país a se vacinar. O primeiro-ministro afirmou que queria encorajar outras pessoas a não terem medo da vacina.

A atitude é diferente da de Bolsonaro, que por diversas vezes afirmou que a responsabilidade sobre eventuais riscos da vacina é de quem tomar.

— Tem gente que quer tomar, então toma, a responsabilidade é tua. Se der algum problema aí, espero que não dê... — disse a apoiadores, em dezembro.

Já os Estados Unidos lideram a lista de países com mais doses aplicadas: 4,5 milhões, junto com a China. O presidente Donald Trump é a maior inspiração internacional de Bolsonaro. Em números absolutos, Israel fica em terceiro, com 1,2 milhão de doses.

Em dezembro quando alguns países já haviam começado suas campanhas de vacinação, Bolsonaro afirmou que a "pressa para a vacina não se justifica":

— A pandemia está chegando ao fim. Estamos com uma pequena ascensão agora, o que chama de um pequeno repique, pode acontecer. Mas pressa para a vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas. Vai inocular algo em você e seu sistema imunológico vai agir de forma imprevista. Você não pode, sem que tenha certificação da Anvisa, você bote a vacina no mercado — disse Bolsonaro.

Dias depois, voltou atrás e afirmou ter "pressa em obter uma vacina, segura, eficaz e com qualidade, fabricada por laboratórios devidamente certificados".

O presidente assinou uma medida provisória (MP) que disponibiliza R$ 20 bilhões para a compra de vacinas contra a Covid-19 e já disse que irá adquirir qualquer imunizante que seja aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).