Câmara se aproxima do impeachment de Trump; líder republicano do Senado rejeita julgamento rápido

David Morgan e Richard Cowan
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Membros da Guarda Nacional dos EUA protegem o prédio do Congresso norte-americano em Washington

Por David Morgan e Richard Cowan

WASHINGTON (Reuters) - Enquanto a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos se aproximava de uma votação nesta quarta-feira para o impeachment do presidente Donald Trump, o principal republicano do Senado rejeitou os apelos democratas para convocar a Casa para um julgamento imediato do presidente, quase garantindo que Trump não será afastado antes do término de seu mandato na próxima semana.

O líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, disse ao principal democrata da Casa, Chuck Schumer, que não está disposto a convocar uma sessão de emergência para considerar a remoção de Trump do cargo após a provável aprovação do impeachment na Câmara, disse um porta-voz de McConnell.

A Câmara, controlada pelos democratas, tentava aprovar nesta quarta-feira o impeachment do presidente por sua participação no cerco ao Capitólio dos Estados Unidos na semana passada, quando apoiadores de Trump violaram a segurança do prédio, forçaram a fuga de parlamentares e deixaram cinco mortos em seu rastro, incluindo um policial.

Pouco depois do meio-dia (14h em Brasília), a maioria da Câmara aprovou medida processual abrindo caminho para uma votação, esperada para o final do dia, sobre artigo único de impeachment acusando formalmente Trump de incitar insurreição em um discurso pouco antes dos distúrbios.

"O presidente dos Estados Unidos incitou esta insurreição, esta rebelião armada contra nosso país comum", disse a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, no plenário da Câmara. "Ele precisa sair. Ele é um perigo claro e presente para a nação que todos nós amamos."

Alguns republicanos fizeram discursos exortando a Câmara a não aprovar impeachment de Trump no interesse de promover a conciliação nacional.

Nenhum presidente dos EUA jamais foi destituído do cargo por impeachment. Três deles --o próprio Trump em 2019, Bill Clinton em 1998 e Andrew Johnson em 1868-- tiveram o impeachment aprovado pela Câmara, mas foram mantidos no poder pelo Senado.

Segundo a Constituição dos EUA, o impeachment na Câmara desencadeia um julgamento no Senado. Uma maioria de dois terços no Senado, atualmente controlado pelos republicanos, seria necessária para condenar e remover Trump do cargo, o que significa que pelo menos 17 senadores republicanos teriam que se juntar aos democratas.

McConnell disse que nenhum julgamento pode começar até que o Senado retorne do recesso em 19 de janeiro, apenas um dia antes da posse de Biden. O julgamento continuaria no Senado mesmo depois que Trump deixar o cargo.

Uma fonte havia dito nesta quarta-feira que a liderança republicana no Senado havia discutido se deveria iniciar um julgamento já na sexta-feira.

Nenhum senador republicano disse que votaria pela condenação de Trump. Dois deles defenderam a renúncia do presidente.

Em um comunicado nesta quarta-feira, Trump pediu a seus apoiadores que permaneçam pacíficos: "Eu insisto que NÃO deve haver violência, violações da lei e vandalismo de qualquer tipo. Isso não é o que eu defendo, e não é o que os Estados Unidos representam."