Enriquecimento de urânio, uma tecnologia para uso civil e militar

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Vista aérea do complexo nuclear de Natanz, no centro do Irã, em 28 de janeiro de 2020, obtida por Maxar Technologies

O enriquecimento de urânio é o aspecto mais sensível do programa nuclear do Irã, que poderia, graças a essa tecnologia, fabricar a bomba atômica, embora sempre tenha negado ter esse objetivo.

Esse processo consiste em aumentar os isótopos físseis do urânio 235, que é inicialmente convertido em hexafluoreto de urânio (UF6) e depois enriquecido, principalmente em centrífugas.

O urânio natural, conforme extraído do solo, é 99,3% urânio 238, não físsil. A parte físsil, o urânio 235, corresponde a apenas 0,7%.

Enriquecido entre 3% e 5%, esse urânio é usado para abastecer usinas nucleares para a produção de eletricidade.

Até 20%, é usado para produzir isótopos médicos, usados principalmente no diagnóstico de alguns tipos de câncer.

Para fazer uma bomba, o enriquecimento deve ser elevado até 90%.

- De 3,67% a 20% -

De acordo com os acordos alcançados em Viena em 2015 com as grandes potências (Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, China e Rússia), o Irã concordou em limitar o nível de enriquecimento a 3,67% para um limite de 202,8 quilos (ou 300 quilos equivalente de UF6).

Mas em resposta à decisão de Donald Trump em 2018 de se retirar do acordo, o país progressivamente voltou atrás em seus compromissos.

O Irã enriqueceu, em um primeiro momento, até 5%. Segundo o último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável pelo monitoramento das atividades nucleares do país, a quantidade desse urânio levemente enriquecido ultrapassou o limite autorizado em 14 vezes em meados de fevereiro: chegou a 2.967,8 quilos na época.

Em janeiro, o Irã iniciou o processo para subir para 20%. Suas reservas enriquecidas nessa taxa agora sobem para 55 kg, de acordo com dados recentes da Organização Iraniana de Energia Atômica.

- 60%, um limite inédito -

Na terça-feira, a República Islâmica anunciou sua intenção de chegar a 60%, um limite sem precedentes de acordo com especialistas.

Os iranianos "nunca passaram dos 20%", disse Robert Kelley, ex-diretor de inspeções da AIEA.

E também, em paralelo, aumentaram muito o número e os resultados de suas centrífugas para "produzir mais, melhor e mais rápido". No total, o número de máquinas passou de 5.060 antes do acordo de 2015 para mais de 6.400 em fevereiro.

No entanto, Kelley pediu prudência. "É um grande passo à frente", "uma provocação", mas não é "suficiente" para fazer uma bomba atômica, afirmou.

Se o Irã talvez será capaz de produzir muito urânio nos próximos anos, precisará depois transformá-lo em em arma e adaptá-lo a um míssil, o que "exige muitas etapas" (compostos químicos, explosivos, aspecto eletrônico...), diz o especialista.

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