Ensaio fotográfico reúne celebridades e animais de rua para dar visibilidade à adoção

·4 minuto de leitura
Erika Januza tem os cães entre as suas paixões

Os vizinhos da fotógrafa carioca Giselle Dias passaram a conviver, no começo deste ano, com visitantes inusitados pelos corredores do prédio onde ela mora, na Barra. Uma penca de famosos e uma turma de quatro patas, entre cães e gatos, foram, ao longo de vários dias, até o estúdio montado em seu apartamento para dar vida ao projeto Amor Não Se Compra. A série fotográfica com perfumes de David LaChapelle, uma das inspirações de Giselle, transformou animais abandonados em estrelas para chamar atenção para a importância da adoção.

“Quis trazer esse glamour para mostrar que é chique adotar animais. Cachorro não é uma bolsa, que você gasta um dinheiro, se quer comprar algo caro para usar. Isso é outra história. Até porque amor e amizade não se compram, e um cão é um ser muito especial. Dar uma casa para um bicho abandonado é algo muito nobre”, compara a fotógrafa, que está habituada a produzir ensaios de moda e já trabalhou para marcas como Prada e Miu Miu. Para ela, inclusive, não existe cachorro feio: “Se você cuida e dá amor, eles ficam perfeitos”.

As reflexões sobre o tema partem de sua própria experiência com os animais de estimação. Giselle acaba de retornar da Califórnia, onde morou nos últimos anos. Por lá, a venda de pets é totalmente proibida desde o ano passado. “Não se compra nem um coelho”, diz. Foi lá que ela adotou o serelepe Bandit, uma mistura de poodle com yorkshire, que acaba de ganhar a companhia do carioquíssimo Loki, um “vira-lata raiz”. Ele chegou até ela por meio da ONG Focinhos de Luz. “Foi resgatado na casa de uma acumuladora que tinha 60 cachorros em 50 metros quadrados. Depois, colocado para adoção e devolvido sete vezes. Quando soube disso, o escolhi na mesma hora.”

A maior parte dos pets que aparecem no ensaio veio da ONG Ação Animal e está disponível para adoção. Assim como Loki, muitos carregam histórias comoventes. “A cadela que aparece na foto com o (ator) João Vicente de Castro, por exemplo, pertencia a traficantes e foi treinada para ser agressiva. Agora, graças ao trabalho da instituição, ela é o oposto disso”, conta Giselle.

O ensaio exigiu empenho da fotógrafa, já que cada clique teve um cenário diferente. “Um dos mais difíceis foi o do (ator) Nando Brandão. Precisei fazer aquela moto caber dentro do elevador do prédio”, conta, sobre o veículo usado na imagem que está na página anterior. As fotos com as atrizes Marcella Rica e Erika Januza também deram trabalho. Para a primeira, a equipe de produção precisou pintar a banheira de amarelo e, para a segunda, comprar várias caixas de limão.

Dirigir os modelos peludos, segundo ela, não foi tão difícil. Por outro lado, alguns artistas que participaram do projeto tiveram dificuldade em se despedir dos bichinhos. Afinal, no casting só entraram apoiadores ferrenhos da causa. “Foi muito sofrido, porque sou apaixonada por cachorro. Costumo brincar que fui um golden retriever em outra vida”, conta Marcella Rica, que não vê a hora de adotar um cão ao lado da namorada, a também atriz Vitória Strada. “Precisamos morar num lugar maior e ficar mais tempo em casa, o que nossas agendas não têm permitido. Mas estamos nos estruturando para isso.”

O mesmo sentimento foi compartilhado por Erika Januza. A atriz chegou a ter 11 cães na infância e ficou morrendo de vontade de levar a sua companheira de clique para casa. Ela precisou se conter, porque já compartilha o teto com dois cachorros. “Fiquei tocada principalmente por ela ser mais velhinha, grupo que tem menos chances de adoção.”

Para a presidente da ONG Ação Animal, Flavia Magalhães, o ensaio vem num ótimo momento. Desde o início da pandemia, ela viu a entrada de animais abandonados no abrigo aumentar progressivamente, enquanto o número de adoções diminuiu. Também houve queda nas doações que ajudam a manter o projeto, devido à diminuição na renda das pessoas. “Espero que, ao ver essas personalidades apoiando a causa, muita gente se conscientize e deixe de comprar pets. Há quem pense, inclusive, que nos abrigos só existem vira-latas, mas também temos muitos cães de raça, porque as famílias compram e depois não querem mais”, diz ela, chamando atenção para a existência de canis clandestinos que vendem raças misturadas como se fossem puras. “Muitas vezes, esses cães são criados em jaulas, onde ficam presos, reproduzindo-se.”

Como disse Giselle: adotar é chique.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos