Ensino remoto no Brasil foi feito principalmente com material impresso e aula no Whatsapp, mostra pesquisa

Bruno Alfano
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RIO - Pesquisa divulgada nesta terça-feira mostra que o ensino remoto no Brasil foi, majoritariamente, a combinação de aulas por whatsapp com materiais impressos.

O estudo foi realizado pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) em parceria com o Instituto Itaú Social e a Unicef. Os dados foram coletados entre janeiro e fevereiro de 2021.

O levantamento foi respondido por 3.672 municípios brasileiros, que concentram 14,7 milhões de estudantes. Desses, 91,9% passaram o ano letivo de 2020 todo remoto após o início da pandemia - o restante (8,9%) adotou modelo híbrido.

Segundo o estudo, mais de 90% dos municípios utilizaram aulas por whatsapp e materiais impressos para as atividades remotas.

— As redes com maiores capacidade de financiamento conseguiram oferecer mais plataformas estruturadas. Quem não tem essa possibilidade, se limitou a fazer com o que podia. O MEC fez falta nesse sentido e agora fala internamente na produção de uma plataforma de apoio geral. Isso está no começo e vamos ver como vai evoluir — afirma Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime.

As aulas gravadas foram utilizadas por 60% dos municípios e pouco mais da metade (54%) tiveram orientações on-line por aplicativos.

Já vídeo-aulas ao vivo aconteceram em apenas 21% das redes municipais que responderam à pesquisa.

Ainda de acordo com o estudo, a maioria das secretarias (78,6%) afirma que o maior desafio foi o acesso de estudantes à internet.

"A constatação reforça a importância de ampliar a conectividade no País por meio de, entre outras ações, a sanção do Projeto de Lei 3447/2020. Ele permite que recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST) sejam direcionados para estados e municípios para garantir a conectividade de crianças e adolescentes da rede pública que vivem em famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), bem como daqueles matriculados nas escolas das comunidades indígenas e quilombolas, e professores da rede pública", diz o material de divulgação da Undime.

Para 2021, 63,3% das redes planejaram começar o ano letivo de forma remota; 26,3% pretendem iniciar de forma híbrida; 3,8% de forma presencial e 6,6% ainda não definiu. As aulas estão sendo retomadas na maioria das redes entre os meses de janeiro e março.

— Corremos o risco de voltar dez, 15 anos no número de crianças fora da escola, seja porque nem se matricularam em 2021 ou não conseguiram fazer as aulas remotas — afirma Italo Dutra, da Unicef.

Com relação aos protocolos de segurança sanitária, 33,9% das redes já os concluíram, 59,6% estão em processo de discussão e 6,5% ainda não iniciaram esse processo. Já os protocolos pedagógicos para a volta às aulas presenciais estão sendo discutidos por 70,4% das redes, já foram concluídos em 22,7% delas e não foram iniciados em 6,9%.