Então, é Natal: público apaixonado faz canais e plataformas investirem em filmes sobre festas de fim de ano

A decoração de Natal começa a dar as caras nos shoppings. O panetone já está em destaque nas prateleiras dos mercados. Mariah Carey avisou que já podemos começar a cantar “All I want for Christmas is you”. Ainda estamos em novembro, mas, sim, como diria Simone: “Então, é Natal”!

Uma prova disso é a chegada da temporada de “filmes de Natal”. O subgênero cinematográfico não é novidade. Estima-se que “Papai Noel” (1898), de George Albert Smith,tenha sido o primeiro filme natalino da história do cinema. Com um minuto de duração, retrata a visita de Papai Noel a duas crianças. De lá para cá, a época do ano se popularizou ainda mais nas telas e rendeu clássicos como “A felicidade não se compra” (1946), de Frank Capra, “Esqueceram de mim” (1990), de Chris Columbus, e — por que não? — “Duro de matar” (1988), de John McTiernan.

O espírito natalino já está presente nos canais de TV e plataformas de streaming. Na última quinta-feira, dia 10, estreou na Netflix a comédia romântica “Uma quedinha de Natal”, em que a eterna menina malvada Lindsay Lohan interpreta uma herdeira mimada que sofre um acidente de esqui e perde a memória. Ela é abrigada em uma pousada e acaba desenvolvendo uma relação próxima com o dono do local e sua pequena filha.

Nos últimos anos, a Netflix dedicou atenção especial às produções natalinas. Nas próximas semanas, a plataforma irá lançar ainda “Natal com você”, com Freddie Prinze Jr., “O diário de Noel”, com Justin Hartley, e a comédia nacional “Um Natal cheio de Graça”. Estrelado por Gkay, Sérgio Malheiros e Vera Fischer, o longa conta a história de um sujeito que é traído pela namorada e, para não admitir o fracasso amoroso para a família, decide levar uma mulher que acabou de conhecer para a festa de Natal. Divertida e destrambelhada, Graça (Gkay) acaba “causando” no encontro familiar do crush fake.

Vera Fischer, que viralizou nos últimos tempos justamente pelo lado cinéfilo, conta que também é apaixonada por filme natalinos. “Agora seremos felizes” (1944), com Judy Garland, “Natal branco” (1954), com Bing Crosby, e “O leão no inverno” (1968), com Katharine Hepburn, Peter O’Toole e Anthony Hopkins, são alguns de seus favoritos.

— São filmes que nos lembram que vamos juntar a família, celebrar, comer juntos o que tiver pra comer, conversar. O que o Natal tem de especial é o que, na verdade, queremos muito, mas estamos deixando faltar no resto do ano: a ternura e a magia de compartilhar — aponta a atriz.

Esta é a segunda vez que a companhia de streaming lança uma comédia natalina made in Brasil. Em 2021, “Tudo bem no Natal que vem”, com Leandro Hassum, chegou a figurar entre os filmes mais assistidos da plataforma em vários países.

— Foi muito gostoso trabalhar com o Natal em “Tudo bem no Natal que vem”. Como em toda família brasileira, ali tem o tio do pavê, tem a briga familiar, tem o show do Roberto Carlos passando na televisão — lembra Hassum, que se diz um apaixonado por filmes do gênero, citando “Férias frustradas de Natal” (1989), com Chevy Chase, como um de seus favoritos. — O importante de fazermos filmes nacionais natalinos é poder oferecer um Natal com que o brasileiro se identifique ainda mais, sem neve, com um calor tremendo, com o supermercado cheio.

Nesta semana estreia no Apple TV+ a comédia musical “Spirited: Um conto natalino”, com Will Ferrell, Ryan Reynolds e Octavia Spencer, adaptação nada convencional do clássico “Um conto de Natal”, de Charles Dickens. Já o Disney+ prepara os lançamentos de “Meu papai (ainda) é Noel”, com Tim Allen, e do especial natalino de “Guardiões da Galáxia”, franquia do universo Marvel. No momento, o Amazon Prime Video está rodando “Red one”, um filme de Natal estrelado por Dwayne Johnson e Chris Evans.

Aumento na audiência

Além de filmes originais, as plataformas investem em pacotes de produções natalinas de canais internacionais especializados no gênero, como o Hallmark Channel e o Lifetime. Em 2021, o Globoplay registrou um aumento de audiência de 68% em dezembro, em comparação ao mês anterior. Quatro filmes natalinos estiveram entre os dez mais assistidos no período.

No Brasil, o canal a cabo Studio Universal iniciou na sexta, dia 11, seu especial de Natal, que consiste na exibição de filmes do gênero 24 horas por dia até janeiro.

Gisele Lopes, gerente de programação e conteúdo da NBCUniversal, grupo do qual o Studio faz parte, conta que o especial é o grande momento do canal no ano e que vem crescendo desde que foi lançado, em 2013, com a exibição de um filme natalino. Em 2016, já eram duas semanas de programação de Natal. Três anos depois, em 2019, passou para um mês. Agora, são quase dois meses com 80 filmes distribuídos por mais de 250 exibições.

— É um movimento diferente. O canal fica diferente. Recebemos muitas mensagens de pessoas agradecendo pela oportunidade de poder ver um filme com a família, por poder chegar em casa e ter uma coisa leve para ver — diz Gisele.

Ela lembra ainda que o sucesso foi tanto que o canal também passou a oferecer um especial “Natal fora de época”, com a exibição de filmes natalinos na programação de julho.

— Temos gente pedindo filmes de Natal o ano inteiro.

Nos últimos tempos, as comédias românticas natalinas ganharam destaque à parte. A cantora Bela Maria, ex-participante do “The Voice Kids”, se autodescreve como “a louca dos filmes de Natal” e brinca que esgota todo o acervo natalino do streaming nesta época do ano.

— Adoro o Natal e tudo que ele representa. Tenho muita vontade de ver essa coisa sentimental, meio clichê, meio brega. Assistimos a filmes para fugir da realidade. E esses trazem muita magia, muito romantismo — diz a cantora, que destaca ainda a representatividade e outros temas. — Tenho visto que os últimos filmes também têm falado muito sobre amor próprio e se preocupado com representatividade. A primeira vez que assisti a “Um crush para o Natal” (2021) [romance LGBTQIA+ com protagonista negro], eu não sabia nada sobre a história e me acabei de chorar, hoje é um dos meus filmes favoritos.