Entenda a ajuda que a Pfizer ofereceu para Brasil conservar vacina a -70ºC

Redação Notícias
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Foto: Hugh Hastings/Getty Images
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No mesmo dia em que governadores e prefeitos aumentaram a pressão sobre o governo federal por avanços na estratégia de vacinação contra a Covid-19, a Inglaterra começou a imunizar sua população. A fórmula usada no país europeu, desenvolvida pela Pfizer em parceria com a BioNTech, poderá chegar ao Brasil no mês que vem.

Para isso, a farmacêutica norte-americana negocia um acordo com o Ministério da Saúde para a compra de 70 milhões de doses e, inclusive, oferece ajuda para facilitar o armazenamento do imunizante, que precisa ser mantido a -70°C.

— Estou muito, muito otimista porque o governo brasileiro e a Pfizer avançam nas tratativas na intenção de compra de até 70 milhões de doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19 — disse Carlos Murillo, presidente da farmacêutica no Brasil, durante audiência no Congresso Nacional nesta terça-feira (8).

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— Os termos já estão bem adiantados e devem ser finalizados ainda nesta semana com a assinatura do memorando de intenção. O contrato final seria assinado somente posterior autorização da Anvisa.

Murillo ressaltou que a fabricante pode auxiliar, com caixas de gelo seco, no armazenamento do imunizante a temperaturas baixíssimas, mas que a parte de distribuição do produto até os pontos de vacinação ainda precisa ser trabalhada com o governo federal.

— Entrega da vacina nessas caixas até o centro de vacinação não é uma entrega no avião. Pontos de vacinação precisam ser acordados e trabalhados com os governos. Essa é a parte que ainda temos que trabalhar com o Ministério da Saúde.

Em reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, nesta terça-feira (8), chefes dos executivos estaduais reclamaram da falta de coordenação sobre o tema e, especialmente, dos planos de compra de imunizantes. Prefeitos também emitiram nota pedindo que sejam compradas “todas as vacinas reconhecidas como eficazes e seguras”, enquanto o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que estados possam comprar imunizantes diretamente, com o apoio financeiro da União.

Na reunião, marcada por tensão e até um bate-boca do ministro com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Pazuello estimou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) leve 60 dias para aprovar o registro de algum imunizante e previu que no caso da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford com a AstraZeneca em parceria com a Fiocruz isso só ocorreria no fim de fevereiro:

— A Anvisa vai precisar de um tempo cumprindo essa missão. Se tudo estiver redondo, teremos o registro da AstraZeneca no final de fevereiro, dando início à vacinação.

Doria anunciou para 25 de janeiro um plano de vacinação em seu estado, com a CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac com o Instituto Butantan. Na reunião, o governador paulista questionou se o ministro não estava preterindo esse imunizante por “questão ideológica, política ou falta de interesse”, lembrando o fato de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ter desautorizado Pazuello após acordo para a compra de 46 milhões de doses da vacina chinesa.

Pazuello rebateu dizendo que Doria trata a vacina como se fosse do Estado de São Paulo e que quando o trabalho de desenvolvimento terminar serão analisados a demanda e o preço da CoronaVac.

— Já expus a todos os governadores, quando a vacina do Butantan, que não é do Estado de São Paulo, é do Butantan, eu não sei por que o senhor fala tanto como se fosse do estado, ela é do Butantan. O Butantan quando concluir seu trabalho e estiver com a vacina registrada, avaliaremos a demanda e se houver demanda e houver preço nós vamos comprar. Havendo demanda, preço (inaudível), todas as vacinas serão alvo de nossa compra — disse Pazuello.

Mais tarde, Pazuello fez um pronunciamento no Palácio do Planalto afirmando ser competência do governo federal o plano de vacinação. Bolsonaro, em publicação nas redes sociais, afirmou que o país disponibilizará de forma gratuita os imunizantes com registro na Anvisa e afirmou que as vacinas não podem ser usadas para “fins políticos”.

Mesmo governadores aliados de Bolsonaro pressionam pela aceleração dos planos. O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), afirmou que já iniciou conversas com São Paulo para aquisição da CoronaVac:

— O que eu não quero é que fique uma disputa. O povo não aguenta esperar. Esperar até março não tem justificativa.