Entenda como o Manchester City voltou a ser o bicho-papão da Europa

Tatiana Furtado
·2 minuto de leitura

O futebol, muitas vezes, é afeito a análises superficiais que decretam verdades absolutas. O tempo, porém, as desfaz rapidamente. Como aquelas que determinaram o fim do sucesso de Pep Guardiola à frente do Manchester City. Nesta quarta-feira, o time, que enfrenta o Borussia Monchengladbach pelas oitavas de final da Champions League (às 17h de Brasília, em Budapeste), é novamente o grande bicho-papão da Europa.

Líder disparado da Premier League, com 10 pontos de vantagem sobre o Manchester United, o City recuperou nos últimos dois meses parte do brilho das temporadas campeãs, como 2017/18. E, como naquela época, retomou a quebra de recordes. Os comandados de Guardiola venceram, até o momento, 18 partidas seguidas em todas as competições inglesas. Há duas semanas, eles haviam superado a marca de 14 vitórias consecutivas do Arsenal (1987) e do Preston (1982).

A invencibilidade vai ainda mais longe. A última derrota do City aconteceu no fim de novembro do ano passado, quando perdeu para o Tottenham. Desde então já são 25 jogos, sendo 22 vitórias e somente 3 empates.As análises a respeito da redenção do técnico catalão são muitas.

Algumas delas apontam para as apostas em alguns nomes, como a dupla de zaga formada Stones, que agarrou a segunda chance dada por Pep, e Rúben Dias, contratado no ano passado.Mas tratam também de entender que os passos dados para trás, com um time mais cauteloso e mudança no estilo de jogo, fazem parte de uma compreensão maior do momento.

Numa temporada atípica por causa da pandemia, o elenco praticamente não treinou para estreia na Premier League em setembro passado. Guardiola privilegiou um jogo menos intenso e revelou que não era o momento de correr. Com menos lesões do que o atual campeão Liverpool, por exemplo, o time tem visto no rodízio de jogadores a solução para o calendário estrangulado.

De qualquer forma, o treinador sabe que recordes e justificativas não importam tanto quanto o sonhado título da Champions League."

É por isso que eu serei julgado, se nós não vencermos (a Champions) no meu período aqui, eu serei um fracasso. Eu sei disso", disse o técnico, recentemente à imprensa inglesa.

Apesar do favoritismo na Premier, a configuração de mata-mata da Champions não é das mais favoráveis ao City, segundo o colunista Carlos Eduardo Mansur, que acompanha toda a temporada do time inglês:

— Houve necessidade de recuo e de adaptação de jogadores ao estilo do time para recuperar na frente a identidade. Ainda não é o City à altura das exibições da temporada dos 100 pontos. É um time em construção. Não sei se é um time pronto para a Champions. Até o momento não mostrou ter jogadores com grande capacidade de decisão.