Entenda como poderia funcionar a moeda única do Mercosul, o 'peso-real'; Haddad nega

Moeda única na América do Sul ajudaria na integração do continente e facilitaria transações comerciais e financeiras
Moeda única na América do Sul ajudaria na integração do continente e facilitaria transações comerciais e financeiras
  • Tema voltou a ser discutido entre Haddad e o embaixador argentino, Daniel Scioli;

  • Até Paulo Guedes, opositor do governo petista, se mostrou a favor da moeda única;

  • Chamada de 'peso-real', moeda ajudaria na integração do Mercosul.

O tema da criação de uma moeda única para o bloco econômico do Mercosul voltou a surgir entre os corredores do Palácio do Planalto. O assunto é um desejo antigo de Lula e de Haddad, que no ano passado publicou um artigo junto de Gabriel Galípolo, secretário-executivo da Fazenda, sobre o tópico.

Desta vez, quem trouxe à tona a criação da moeda foi o embaixador da Argentina no país, Daniel Scioli, que teria discutido a ideia junto ao ministro da Fazenda durante um encontro em Brasília.

No passado, Lula defendeu a criação da moeda unificada para os países de toda América Latina durante um discurso no Congresso Eleitoral do PSOL. “Vamos voltar a restabelecer nossa relação com a América Latina. E se Deus quiser vamos criar uma moeda na América Latina, porque não tem esse negócio de ficar dependendo do dólar”, disse na época o atual presidente.

Curiosamente, o antigo ministro da Economia, Paulo Guedes, também já defendeu a proposta. Desde 2008 há registros de defesas da moeda unificada pelo banqueiro em um artigo da revista Época. A mais recente, no entanto, aconteceu em agosto do ano passado, quando afirmou que o Mercosul deveria ter uma moeda de integração, assim como ocorreu com a União Europeia.

Como seria a moeda unificada?

Chamada descompromissadamente de peso-real, nome que engloba a denominação das moedas de três dos atuais quatros países membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), a moeda unificada não significaria o fim das moedas próprias de cada país. O próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a reafirmar nesta quinta-feira (05) que a moeda unificada não teria essa proposta de uso, mas sim seria uma evolução do atual Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML). O ministro chegou a ficar irritado com a incompreensão dos jornalistas presentes, afirmando: "Não existe proposta de moeda única do Mercosul, vai se informar primeiro".

O objetivo inicial seria ajudar na integração do bloco econômico e na facilitação do câmbio comercial. Haddad e Galípolo ainda defendem que ela seja usada para facilitar os fluxos comerciais e financeiros entre todos países da América do Sul. “A criação de uma moeda sul-americana é a estratégia para acelerar o processo de integração regional, constituindo um poderoso instrumento de coordenação política e econômica para os povos sul-americanos”, afirmaram em seu artigo.

Sua emissão também não ficaria a cargo de um país ou de uma instituição nacional, mas sim de um Banco Central sul-americano transnacional, da mesma forma que o Banco Central Europeu. Para os integrantes da Fazenda, o ideal seria basear o peso-real na antiga URV (Unidade Real de Valor), sistema que ajudou na transição do Cruzeiro Real e o Real e no apaziguamento da inflação.