Entenda como seriam as 5 universidades que não criam mais vagas e custariam meio bilhão

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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 14: Minister of Education Milton Ribeiro (L) adjusts his face mask next to President of Brazil Jair Bolsonaro during the opening of the Escola Civico-Militar General Abreu on August 14, 2020 in Rio de Janeiro, Brazil. The civic-military school inaugurated by the city of Rio de Janeiro has a capacity for 500 students. Two other units will be added to the complex, which will be launched by the end of the year. Civic-military schools are non-militarized institutes with retired military agents as tutors, a model advocated by the government of Jair Bolsonaro. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)
Novas universidades e institutos federais vão contra discurso comum do ministro Milton Riberio e do presidente Jair Bolsonaro. Foto: Buda Mendes/Getty Images.
  • Novas instituições de ensino seriam criadas em redutos do Centrão

  • Gastos não estão previstos no Orçamento

  • Decisão aparece após corte de 90% na Ciência brasileira

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, planeja dividir Universidades Federais existentes para criar cinco “novas” instituições de ensino e cinco institutos técnicos. No entanto, nada disso representa um aumento no número de vagas para alunos ou uma expansão da infraestrutura.

As universidades novas irão, na verdade, atender aos interesses de políticos aliados ligados ao centrão. Isso porque serão criados 2.912 cargos para administrar as novas instituições que atualmente já operam de forma satisfatória.

Os novos cargos poderão custar até R$ 500 milhões por ano, segundo estimativas do Ministério da Economia. Já o MEC afirma que o gasto seria de R$ 147 milhões ao ano. De qualquer forma, não há previsão para esse gasto na proposta orçamentária de 2022.

A criação das universidades seria feita por um projeto de lei, que desmembra campi no Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Espírito Santo e Piauí. Este último representa a base eleitoral de Ciro Nogueira (PP), líder do centrão e ministro da Casa Civil.

Já os novos institutos federais seriam criados a partir da divisão de unidades em São Paulo, Goiás e Paraná. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Enquanto isso, o Ministério da Economia decidiu, no começo do mês, retirar mais de 90% dos recursos que seriam destinados a diversos projetos científicos, incluindo bolsas de estudo e verbas para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O corte representa um desmonte da ciência e do ensino superior no Brasil e tem sido criticado por instituições da sociedade civil.

A criação de novas instituições de ensino vai contra o discurso do ministro Ribeiro, que já chegou a afirmar que a universidade deve ser para poucos e que o Brasil errou ao investir mais em ensino superior que educação básica em governos anteriores.

Projeto foi apresentado na Câmara

Na última quarta-feira (20), Ribeiro e auxiliares estiveram na Câmara para detalhar o projeto. A criação de um novo instituto em Goiás não está no projeto de lei, mas foi incluída na exposição de Ribeiro para atender ao pleito do deputado bolsonarista major Vitor Hugo (PSL-GO).

Em sua fala, o ministro argumentou que o PL irá facilitar a abertura de novos cursos, o que poderá aumentar o número de vagas no futuro. Além disso, reconheceu os esforços das bancadas do Paraná e de Goiás para estimular esse tipo de expansão.

Um dos novos institutos federais do Paraná, segundo a apresentação do ministro, teria sede em Maringá, cidade do deputado Ricardo Barros. O município, no momento, nem sequer tem campus.

Segundo o ministro, as instituições envolvidas concordaram com a divisão. Ao jornal Folha de S. Paulo, no entanto, muitas teceram críticas ao projeto. A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) divulgou posicionamento contrário.

"A forma exógena, sem diálogo e sem o devido planejamento, como está sendo conduzida a proposta, sob pressão de atores políticos apartados da realidade do sistema universitário (...) configura flagrante desrespeito ao princípio constitucional da autonomia universitária", diz nota do Conselho Universitário.

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