Entenda como tanques russos capturados pela Ucrânia na guerra viraram atração turística na Polônia

Conhecida por abrigar a residência dos antigos monarcas poloneses e uma coleção de prédios medievais bem preservados no centro histórico de Varsóvia, a Praça do Castelo Real (ou Plac Zamkowy, no idioma local) ganhou recentemente uma nova e inusitada atração: dois tanques russos destruídos durante a Guerra na Ucrânia.

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Atraindo os olhares e servindo de cenário para fotos de turistas e moradores que passam pelo local, o tanque T-72 e o obuseiro autopropulsado 2S19 bem poderiam se passar por peças de algum museu militar. Mas a lama que ainda está presa em suas esteiras e as partes queimadas e amassadas denunciam um uso bem mais recente. Os veículos de combate eram usados pelas forças armadas da Rússia na chamada "operação militar especial" nos arredores de Kiev e Kharkiv, até serem atingidos e capturados pelo exército da Ucrânia.

Os blindados agora se transformaram em troféus de uma guerra ainda em andamento e são as estrelas de uma exposição batizada de "Pela sua liberdade e a nossa", numa iniciativa conjunta entre os governos da Ucrânia e da Polônia. Segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, os tanques permanecerão em Varsóvia pelos próximos meses, antes de serem exibidos em Cracóvia, também na Polônia, mais ao sul.

A ideia é que a exposição seja itinerante, levando os veículos a outros grandes centros europeus, como Berlim, Paris, Madri e Lisboa, numa demonstração de apoio dos países do continente à Ucrânia, contra a invasão russa.

— Vamos garantir que os tanques russos estejam na Europa, mas como sucata — disse o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, em junho, quando os veículos ainda estavam expostos numa praça central em Kiev.

O ponto inicial da exposição não poderia ser melhor. Rival histórico dos russos, a Polônia é um dos países europeus mais incisivos nas críticas à invasão militar promovida por Vladmir Putin, além de ser o principal destino de ucranianos refugiados da guerra.

A Praça do Castelo Real fica no coração do centro histórico da capital polonesa e é um dos pontos mais visitados por turistas. Ali estão atrações muito conhecidas, como a Coluna de Sigismundo, erguida em 1644 e que homenageia o rei que transferiu a capital polonesa, antes em Cracóvia, para Varsóvia. Importante símbolo do nacionalismo polonês, o monumento foi derrubado pelos alemães em 1944, durante a Revolta de Varsóvia, um levante popular contra o controle nazista no país. Sua restauração aconteceu em 1949.

Em frente ao monumento está o Castelo Real (Zamek Królewski), que dá nome à praça e hoje é um dos principais museus históricos do país. Ele foi a residência oficial dos reis poloneses entre os séculos XVI e XVIII, e também dos primeiros presidentes do país, no começo do século XX. Assim como a coluna, também precisou ser reconstruído após a Segunda Guerra Mundial, já que em 1939, bem no início do conflito, fora seriamente afetado pela artilharia aérea alemã. Os trabalhos de reconstrução aconteceram entre 1971 e 1984. Desde 1980, o Castelo Real e todo centro antigo de Varsóvia estão listados como Patrimônio Mundial pela Unesco.

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