Entenda como Wajngarten soube de carta da Pfizer ao governo Bolsonaro

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Former Brazil's Chief of the Secretariat of Social Communication (SECOM) Fabio Wajngarten attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil May 12, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Fabio Wajngarter depõe à CPI da Covid nesta quarta-feira (12) (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Fabio Wajngarten soube de carta da Pfizer pelo dono da RedeTV, Marcelo Carvalho

  • Uma apresentadora da emissora informou Carvalho, pois é casada com um executivo da Pfizer

  • Wajngarten foi informado sobre a carta em novembro, dois meses depois de o documento ser enviado ao governo

O ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, revelou que soube da carta enviada pela Pfizer, oferecendo vacinas, pelo dono da RedeTV, Marcelo Carvalho. 

Carvalho, por sua vez, tinha a informação porque uma das apresentadoras da emissora é casada com um executivo da farmacêutica. 

Wahngarten foi convocado para depor na CPI da Covid por causa de uma entrevista dada à revista Veja. Em abril, Wajngarten revelou para a publicação que foi ele o responsável por informar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que a Pfizer havia mandado uma carta em setembro - e estava há dois meses sem resposta. 

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Desde a entrevista, Wajngarten repetia que a informação havia sido passada por um empresário, um dono de veículo de comunicação. Nesta quarta-feira (12), ele foi questionado sobre o nome do empresário pela senadora Eliziane Gama. 

"Marcelo de Carvalho, dono da RedeTV", afirmou. "Naquela ocasião, ele tinha uma apresentadora que era casada com o general manager da Pfizer." 

Segundo Wajngarten, Carvalho teria relatado que havia uma carta da Pfizer, enviada ao governo, e não havia tido resposta. O ex-secretário de Comunicação relatou que informou o presidente da República imediatamente a respeito do contato feito pela farmacêutica

O ex-secretário revelou que teve três encontros com representantes da Pfizer, sendo o primeiro com o CEO da empresa no Brasil. Por outro lado, ele mudou a versão dada à Veja e negou ter negociado com a farmacêutica pela compra das vacinas

Na próxima quinta-feira (13), a CPI da Covid receberá representantes da Pfizer para prestarem depoimento. 

Sobre a CPI da Covid no Senado

O que deve ser investigado pela CPI

  • Ações de enfrentamento à Pandemia, incluindo vacinas e outras medidas como a distribuição de meios para proteção individual, estratégia de comunicação oficial e o aplicativo TrateCOV;

  • Assistência farmacêutica, com a produção e distribuição de medicamentos sem comprovação

  • Estruturas de combate à crise;

  • Colapso no sistema de saúde no Amazonas;

  • Ações de prevenção e atenção da saúde indígena;

  • Emprego de recursos federais, que inclui critérios de repasses de recursos federais para estados e municípios, mas também ações econômicas como auxílio emergencial.

Quem é o relator da CPI, Renan Calheiros

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia terá como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O colegiado será presidido por Omar Aziz (PSD-AM) e o vice-presidente será o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Crítico ao governo Jair Bolsonaro, Renan Calheiros será responsável por dar o rumo aos trabalhos e produzir o texto final, que pode ser encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos de controle.

É um dos nomes mais antigos no Senado brasileiro. Ele está há 26 anos na Casa e tem mandato até janeiro de 2027. Foi três vezes presidente do Senado, além de ministro da Justiça no governo FHC. É pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Crítico ao governo de Jair Bolsonaro, nesta semana, Renan Calheiros defendeu que o MDB apoie o ex-presidente Lula na eleição presidencial de 2022.

Como vai funcionar a CPI no Senado

O que diz a Constituição?

A Constituição estabelece que são necessários três requisitos para que uma CPI possa funcionar: assinaturas de apoio de um terço dos parlamentares da Casa legislativa (no caso do Senado são necessários 27 apoios); um fato determinado a ser investigado; e um tempo limitado de funcionamento.

Quanto tempo pode durar uma CPI?

Depende do prazo que o autor do requerimento estipular. No caso da CPI da Covid, o prazo inicial é de 90 dias, conforme requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de 15 de janeiro.

Quais os poderes de uma CPI?

Poderes de investigação próprios dos juízes, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. No Senado, os membros da CPI podem realizar diligências, convocar ministros de Estado, tomar o depoimento de qualquer autoridade, inquirir testemunhas, sob compromisso, ouvir indiciados, requisitar de órgão público informações ou documentos de qualquer natureza e ainda requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções.

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