Entenda estratégia do Botafogo, que mira aporte de ao menos R$ 400 milhões para vender SAF

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O Botafogo tem um número para começar a conversar com investidores interessados em assumir a operação do futebol do clube: no mínimo, R$ 400 milhões. O valor daria direito a ao menos 51% das ações da SAF alvinegra. Trata-se da mesma quantia que Ronaldo Fenômeno deve injetar no Cruzeiro nos próximos anos. Mas, no caso da transação anunciada em Belo Horizonte no sábado, a Tara Sports, empresa do ex-atacante, ficará com 90% dos ativos. O restante seguirá com o Cruzeiro clube, conforme diz a Lei da SAF.

Para o colunista do GLOBO Rodrigo Capelo, especialista em negócios do futebol, os R$ 400 milhões aventados são razoáveis para clubes com o perfil de Botafogo e Cruzeiro darem um pontapé inicial na vida sob o novo modelo de gestão:

— É um montante necessário para lidar com dívidas urgentes, contribuir no cronograma de pagamento daquelas que forem renegociadas e fazer investimentos em futebol, fundamentais para que o plano de negócios da empresa faça sentido.

Existem conversas em andamento entre o alvinegro e alguns pretendentes, num processo que pode se estender por meses. Diferentemente do que ocorreu no Cruzeiro, em que a venda da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) para Ronaldo Fenômeno não passou pela avaliação do quadro social — o que pode gerar problemas judiciais no futuro para a Raposa —, o alvinegro colocará uma eventual proposta que passe pelo crivo da diretoria para votação na Assembleia Geral.

O prazo para que ela aconteça é de até dez dias depois de convocada. Lá, pode-se aprovar ou reprovar o que foi oferecido, mas a chance de a venda não passar é quase zero, acredita o alvinegro. Para Capelo, trata-se de um obstáculo necessário.

— A aprovação na Assembleia pode ser complicada, porque a vida política de clubes de futebol é praticada por pessoas com cabeças muito diferentes, mas vejo como etapa indispensável. Sócios precisam ser consultados antes de uma migração tão importante, a “venda” do futebol do clube para terceiros. Também creio que isto dará mais segurança aos futuros compradores — aposta o analista.

Há, contudo, a possibilidade de a oferta não estar de acordo com o estabelecido pelo clube inicialmente. Neste caso, antes de ir à Assembleia, ela precisará passar pelo Conselho Deliberativo, que deve fazer uma pré-aprovação da proposta. Todo esse trâmite levaria ao menos 20 dias.

Internamente, há o consenso de que o ideal seria ter mais de um investidor comprando os ativos. Há modelos, definidos pelo Botafogo, que estão na mira nessa fase de prospecção.

Um deles é alguém que já invista no futebol, sobretudo no exterior, e saiba como gerir um clube. O outro seria um administrador de dívidas. Este investidor injetaria uma grande quantia para que a parte devedora, ou seja, o Botafogo possa negociar descontos amplos com credores. No longo prazo, o investidor lucraria em cima dos juros que a SAF lhe pagaria pelo aporte inicial.

Acordo tributário

De acordo com o CEO do alvinegro, Jorge Braga, a posição do clube está consolidada, porque já é discutida há dois anos. Ele conta que o processo trouxe uma série de vantagens que vão além de um acordo estatutário e também abrangem de gestão ao compliance.

— A SAF é uma startup dos ativos do futebol. Sozinha, ela não traz compromisso de gestão, transparência e compliance, mas consolida o posicionamento do clube nessa direção. E não existe investidor que negocie sem conhecer o clube — diz Braga, que se afastou um pouco da gestão do futebol para focar no SAF.

O CEO também comentou que, além de ter aderido ao Regime Centralizado de Execuções (RCE) — acordo que renegocia as dívidas trabalhistas e cíveis e impede, desde que o clube esteja em dia com os pagamentos, que haja bloqueio de bens e penhoras —, o Botafogo está prestes a anunciar um acordo para renegociar suas dívidas tributárias.

— É um choque de gestão e segurança — afirma.

A XP Investimentos é a empresa responsável por captar e intermediar conversas entre o Botafogo e possíveis investidores. Em live do jornalista Jorge Nicola, Pedro Mesquita, head da empresa, deu pistas sobre os interessados.

Segundo ele, o principal favorito a fazer oferta pela SAF do Botafogo já possui experiência na gestão de clubes e não se trata de árabes, com quantidade de capital acima da média, mas sim de um investidor de olho em uma operação de longo prazo, que seja sustentável financeiramente.

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