Entenda a guerra do gás entre a Rússia e a Europa

Desde o início da guerra na Ucrânia, em 24 de fevereiro, o gás se tornou uma arma econômica utilizada em várias ocasiões entre a Rússia e o restante da Europa. Com a queda da oferta russa do combustível, os 27 países-membros da União Europeia chegaram a um acordo político nesta terça-feira para reduzir seu consumo de gás em até 15% nos próximos oito meses, com cortes obrigatórios em caso de emergência.

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Com o sinal verde para o plano, mesmo que atenuado, a impressão de que a economia da Europa está em pé de guerra com a Rússia fica ainda mais evidente. Entenda abaixo como a crise do gás na Europa começou:

Abandono do Nord Stream 2

Em 22 de fevereiro de 2022, o chanceler alemão Olaf Scholz anunciou a suspensão do início da operação do gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia e a Alemanha pelo Mar Báltico, em retaliação ao reconhecimento oficial de Moscou dos territórios separatistas no Leste da Ucrânia.

Esse projeto, que se soma ao Nord Stream 1, em operação desde 2011, está no centro de uma batalha geopolítica e econômica e havia posto a Alemanha (que importa metade de seu gás da Rússia) contra os Estados Unidos e parte dos países europeus.

Foi também uma fonte de tensão entre a Rússia e a Ucrânia, uma vez que a construção do Nord Stream 2 fez temer a perda dos rendimentos que Kiev obtém com o trânsito de gás russo pelo seu território.

Aumento do preço do gás

A Rússia fornece cerca de 40% do gás importado pela Europa. A invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro, fez disparar os preços do gás natural e do petróleo, devido ao temor de que houvesse cortes na oferta.

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Em 2 de março, a União Europeia (UE) “desconectou” sete bancos russos do sistema financeiro internacional SWIFT, que agiliza os pagamentos internacionais. Mas deixou dois grupos financeiros ligados ao setor de hidrocarbonetos no sistema, devido à grande dependência do gás russo de países como Alemanha, Itália, Áustria e Hungria.

Embargo de gás dos EUA

Em 8 de março, o presidente dos EUA, Joe Biden, proibiu as importações de hidrocarbonetos russos, especialmente o petróleo. Na mesma época, o Reino Unido anunciou o fim das importações de energia da Rússia em 2022.

Resposta russa

Em 23 de março, o presidente russo, Vladimir Putin, decidiu proibir os europeus de pagarem pelo gás russo em dólares ou euros, em resposta ao congelamento de cerca de US$ 300 bilhões das reservas russas em moeda estrangeira.

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Ele também anunciou que os países "hostis" que consomem gás russo teriam que abrir contas bancárias em entidades russas para pagar suas contas em rublos, caso contrário seu fornecimento poderia ser cortado.

O órgão executivo da UE, a Comissão Europeia, considera essa opção uma violação das sanções internacionais contra Moscou, e por isso buscou alternativas com os Estados Unidos. Washington prometeu enviar à Europa mais 15 bilhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) este ano.

Corte de gás russo

Em 27 de abril, a gigante russa Gazprom suspendeu todos os seus envios para a Bulgária e a Polônia, dois países fortemente dependentes do gás da Rússia, pois não o pagaram em rublos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, denunciou uma "chantagem do gás" e explicou que ambos os países (membros da UE e da Otan, a aliança militar ocidental) vão receber o fornecimento de gás "através dos seus vizinhos da União Europeia".

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Em 21 de maio, a Rússia cortou o gás para a vizinha Finlândia, que também se recusou a pagar em rublos e irritou Moscou com seu pedido de adesão à Otan. Depois foi a vez da Holanda e da Dinamarca.

A UE não quer o embargo

Em 30 de maio, os líderes dos 27 países da UE concordaram em cortar suas importações de petróleo russo em quase 90% até o final do ano, mas não quiseram impor um embargo ao gás de Moscou.

Europa sob pressão

Em meados de junho, a Gazprom, citando um problema técnico, cortou seus envios de gás em 60%, principalmente para a Alemanha via Nord Stream 1, elevando os preços novamente. Em 23 de junho, a Alemanha ativou o "nível de alerta" do abastecimento de gás, o que aproxima a possibilidade de racionamento no país.

Plano de racionamento

Em 11 de julho, a Gazprom anunciou que fecharia o gasoduto Nord Stream 1 por 10 dias para manutenção. Uma semana depois, no dia 18, a UE anunciou um acordo com o Azerbaijão para dobrar suas importações de gás natural em "alguns anos". A UE também buscou novos fornecedores em países como Catar, Noruega e Argélia.

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Em 20 de julho, Bruxelas propôs um plano para reduzir o consumo de gás europeu em 15% e, assim, enfrentar a redução da oferta russa.

Reabertura do Nord Stream 1

Como prometido por Moscou, o envio de gás pelo Nord Stream 1 foi retomado no dia 21 de julho, acabando com os temores europeus de que o transporte nunca fosse retomado. A capacidade foi mantida nos mesmos 40% de antes dos reparos, mas Putin já havia indicado que poderia ser reduzida pela metade, citando mais problemas técnicos. Os reparos, diz o presidente russo, são prejudicados pelas sanções — justificativas que a UE rejeita, acusando o Kremlin de "chantagem".

O alerta de Moscou se confirmou na última segunda, quando a estatal russa Gazprom anunciou que a exportação será reduzida para um fluxo de 20% a partir de quarta-feira após uma das turbinas atualmente em operação ser desligada. Com isso, restará em funcionamento apenas uma das seis turbinas da estação de compressão de Portovaya.

Acordo europeu

Os países da União Europeia aprovaram o pacto apresentado no último dia 20 para reduzir o consumo de gás em até 15%. O plano é uma versão atenuada da proposta inicial, abrindo exceções para Estados antes reticentes, mas houve consenso para racionamentos obrigatório em emergências.

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