Entenda a 'guerra de preços' do petróleo e como isso afeta o dólar e os mercados

A disparada nos preços do petróleo ocorreu após uma reunião entre a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e a Rússia, outro gigante do setor, acabar sem um consenso no fim de semana. O grupo vinha tentando costurar um acordo há dias, pois a demanda por petróleo despencou com o menor consumo chinês. A China, afetada pela disseminação do coronavírus, é o maior importador global da matéria-prima e vinha reduzindo sua demanda.

Na reunião ocorrida no fim de semana, em Viena, na Áustria, a Rússia decidiu não cooperar com o grupo para reduzir a produção mundial de petróleo e, consequentemente, elevar os preços do barril. A Rússia e o cartel do petróleo mantinham uma cooperação desde 2016.

Em represália à decisão russa, a Arábia Saudita anunciou neste domingo que cortaria seus preços em mais de 10% e que aumentaria a produção a partir de abril. Para os sauditas, um volume maior de produção permite manter a receita com o petróleo, mesmo com os preços mais baixos. A tentativa seria de trazer os russos de volta à mesa de negociações.

O troco dos russos

Os russos, por sua vez, querem manter o preço baixo porque avaliam que o petróleo mais barato pode dificultar a produção americana. Os Estados Unidos expandiram sua extração de petróleo graças ao 'shale gas' (gás de xisto), que tem o custo mais elevado. A Rússia, então, orientou suas empresas petrolíferas a "extraírem quanto petróleo puderem", elevando a produção à capacidade máxima.

Diante das incertezas — e do avanço do coronavírus no mundo — as Bolsas de vários países operam em queda nesta segunda-feira. No Brasil, as ações da Vale e da Petrobras, por exemplo, despencaram até 25%.

Alta do dólar

Com o nervosismo dos mercados globais, o dólar comercial abriu em alta, perto de R$ 4,80. Para tentar conter a elevação frente ao real, o Banco Central (BC) resolveu mudar sua estratégia e atuar no mercado à vista. Até semana passada, ele vinha intensificando sua atuação no câmbio por meio de contratos de swap cambial — um instrumento financeiro que funciona como uma espécie de oferta de dólares no mercado futuro.

Na sexta-feira, o BC já havia anunciado que faria um leilão de US$ 1 bilhão nesta segunda-feira. Hoje, antes da abertura dos mercados, informou que elevaria a oferta para US$ 3 bilhões.

Para tentar acalmar os mercados, o Fed (Federal Reserve), o banco central americano, também anunciou que vai elevar suas injeções diárias no mercado em US$ 50 bilhões para US$ 150 bilhões.

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