Entenda melhor o que materiais como pedra, vidro e cabelo podem causar ao organismo

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Que atire o primeiro Trident quem nunca comeu papel. E a lista de materiais peculiares ingeridos parece não ter fim entre pedra, carvão e vidro, mesmo que o preço para dieta tão indigesta seja alto.

De acordo com Alecsandro Moreira, gastroenterologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, nosso organismo digere o papel parcialmente e as substâncias tóxicas contidas podem impactar no trato gastrointestinal e talvez precise ser removido.

Na lista de materiais que precisam ser retirados endoscópica ou cirurgicamente também estão pedra e vidro, que embora sejam materiais inertes, ou seja, que não participam de reações químicas, podem perfurar o trato gastrointestinal e levar a sérias consequências.

Moreira esclarece também que embora o carvão, quando processado, seja utilizado para tratar de intoxicações, pode ser extremamente nocivo quando está em sua fórmula bruta, por isso é melhor evitar.

Entre os materiais mais perigosos a serem ingeridos o médico destaca a bateria, que pode provocar corrosão ou mesmo perfurar o trato gastrointestinal. “Uma bateria que ficou uma hora no esôfago parece ter sido tirada do fundo do mar após anos, tamanha a corrosão”, pontua.

Dieta perigosa

Embora a terra e a argila já tenham sido utilizadas para reposição de minerais, controle de azia ou refluxo, Moreira esclarece que são grandes os riscos de exposição a parasitoses, infecções intestinais e intoxicação por minerais diversos, além de agrotóxicos. “Há muitos anos a reposição de minerais pode ser feita por dieta equilibrada e em alguns casos por medicamentos ou suplementos alimentares”, complementa.

O médico explica também que o desejo de grávidas por substâncias pouco convencionais como telha, pedras ou a própria terra pode estar mais ligado a alterações hormonais da gravidez do que à carência de minerais como cálcio, ferro e magnésio.

No caso de cabelos, um ou outro fio normalmente não vai causar nada grave, mas quando consumido em grandes quantidades, normalmente por pessoas que sofrem de uma doença chamada tricotilofagia, pode se acumular no estômago ou em outra parte do intestino. “Esse material fica agrupado com cor marrom escuro e consistência quase concreta, pode ser chamado de tricobezoar”, afirma Moreira.

Ele explica que bezoares são coleções de materias indigeríveis que se acumulam no trato gastrointestinal, mais frequente no estômago. O tricobezoar, por exemplo, pode causar dor, distensão e obstrução do trânsito gástrico ou do intestino dependendo do local que impactou. É mais um dos casos que só pode ser retirado por via endoscopia ou por cirurgia. Na dúvida sobre o material ingerido, a melhor pedida é sempre procurar um médico.

Por Gislene Trindade