Entenda a nova metodologia de diagnóstico que fez número de casos do coronavírus explodir na China

Constança Tatsch, com agências internacionais
Laboratório de diagnóstico para coronavírus na Fiocruz

RIO — Os últimos números divulgados pela China na noite de quarta-feira mostraram uma explosão nos casos de COVID-19 (doença provocada pelo novo coronavírus) que, embora tenha assustado governos e mercados, pode ser explicada pela nova metodologia de diagnóstico, mais abrangente, adotada pelo país.

O governo chinês anunciou ontem 242 novas mortes na província de Hubei, elevando o total para 1.355, e mais 14.840 pessoas infectadas, chegando a quase 60 mil ao todo. Dados antigos e casos suspeitos foram revisados.

O governo da província passou a considerar como COVID-19 casos diagnosticados clinicamente, ou seja, agora quem tem os sintomas e uma tomografia computadorizada que mostre um pulmão infectado, será considerado um caso de coronavírus.

Anteriormente, só eram contabilizados casos que tivessem sido confirmados por testes de RNA, um tipo de código genético, que pode levar dias para ficar pronto.

De acordo com a Comissão de Saúde de Hubei, o objetivo da mudança é identificar mais casos e isolá-los mais rapidamente.

Ainda na quarta, a China anunciou a substituição dos dois mais altos funcionários do Partido Comunista em Hubei e na capital da provincia, Wuhan.

O prefeito de Xangai, Ying Yong, um ex-juiz que já trabalhou com o presidente Xi Jinping, foi nomeado para substituir o chefe da província, Jiang Chaoliang.

135 mortes diagnosticadas com novo método

Das 242 novas mortes em Wuhan, 135 são casos "diagnosticados clinicamente". Isso significa que, mesmo sem a nova definição, o número de mortes em Hubei na quarta-feira foi de 107 — um novo recorde para a província.

— Entendemos que a nova definição de caso amplia a gama e inclui não apenas os casos confirmados laboratorialmente mas também casos diagnosticados clinicamente, baseados nos sintomas e exposição — afirmou o porta-voz da Organização Mundial de saúde (OMS), Tarik Jasarevic.

Ele disse que a OMS estava buscando "maior clareza" da China sobre a atualização recente de sua definição de caso e do protocolo de notificação da doença. A organização deve falar sobre as mudanças durante entrevista coletiva nesta quinta-feira.

Diagnóstico no Brasil

No Brasil, quando há um caso suspeito, primeiro são descartadas outras doenças e verificado o critério epidemiológico (se esteve em áreas ou com pessoas afetadas).

Quando há real suspeita do novo coronavírus, uma amostra do trato respiratório do paciente é encaminhada a Fiocruz, onde é feito o teste de RNA.

— Na contenção da epidemia, o teste tem que ser absolutamente confiável, mesmo que seja preciso esperar dois dias. Já num momento de crise, como passa a China, tem que ser mais rápido — disse Estevão Portela, vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas.

Segundo ele, é nosso interesse também a confecção "de teste confiável que também seja rápido".