Entenda o linfoma Não-Hodgkin, câncer que matou o humorista Caike Luna

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O ator e humorista Caike Luna morreu na manhã deste domingo, aos 42 anos, vítima de um câncer do tipo linfoma Não-Hodgkin, que tratava desde abril. Caike, que ficou nacionalmente conhecido pelo personagem Cleitom, no programa "Zorra total", da TV Globo, fazia parte atualmente do elenco de programas do canal Multishow, como "Xilindró", "Baby Rose" e "Treme treme".

O tipo de câncer que o humorista enfrentava é considerado raro e agressivo e já foi diagnosticado nos atores Reynaldo Gianecchini, Edson Celulari e Michael C. Hall, na ex-presidente Dilma, na dramaturga Glória Perez e no ex-governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão, que conseguiram se recuperar após o tratamento.

A doença, que afeta 1,5 milhão de pessoas em todo mundo, ataca o sistema linfático, responsável pela imunidade do organismo, defendendo-o de vírus, bactérias e outras ameças externas. Entenda como funciona o linfoma Não-Hodgkin:

O que são os linfomas

A medula óssea produz glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Os glóbulos brancos são divididos entre neutrófilos e linfócitos. Cada um deles é responsável por uma barreira de defesa do organismo. Os linfócitos reconhecem os agentes agressores, como vírus e bactérias, por exemplo. Os do tipo B produzem anticorpos. Os do tipo T são responsáveis pelo ataque aos agentes agressores. Os linfomas são neoplasias malignas, originárias dos gânglios (ou linfonodos). Quando ocorrem mutações, as células alteradas podem parar em qualquer lugar do corpo.

Diagnóstico e Tratamento

Há mais de 20 tipos diferentes de linfoma não-Hodgkin. A detecção da doença é feita por meio de exame de biópsia, exames de imagem (como tomografias e ressonâncias) e por exames das células do corpo. Após os exames, médicos avaliam a extensão da doença e a classificam de acordo com o tipo de linfoma: indolente, de crescimento relativamente lento (cerca de 40% dos casos), ou agressivo, de alto grau e desenvolvimento rápido.

O tratamento é feito por meio de quimioterapia, imunoterapia e, em alguns casos, radioterapia e transplante de medula óssea, segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale).

Sintomas

Entre os principais sintomas do linfoma não-Hodgkin estão o aumento dos gânglios linfáticos sem dor (carocinhos, que geralmente aparecem na região do pescoço, virilha e axila), febre e fadiga, suor noturno, perda repentina de peso, aumento do volume do tórax e do abdômen, tosse, falta de ar e dor na região do tórax e aumento do baço (também chamado de esplenomegalia).

Maior risco

O linfoma não-Hodgkin é mais comum entre pessoas do sexo masculino. O envelhecimento aumenta a possibilidade do indivíduo desenvolver esse tipo de câncer. Além disso, as pessoas que já sofrem de doenças no sistema imunológico e as que foram expostas a substâncias químicas tóxicas, como pesticidas, solventes e fertilizantes, e também a altas doses de radiação estão mais suscetíveis a desenvolver o linfoma não-Hodgkin.

Linfoma não-Hodgkin no Brasil

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), por razões ainda desconhecidas, o número de casos duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos. O Inca ressalta que, entre os linfomas, é o tipo mais incidente na infância.

Em 2020, a estimativa de novos casos era de 12.030, sendo 6.580 homens e 5.450 mulheres. Já o número de mortes, segundo dados do Ministério da Saúde, foi de 4.923 em 2019, sendo 2.695 de homens e 2.228 de mulheres.

Segundo a Abrale, os tipos mais comuns de linfoma não-Hodgkin são os de células B (a maioria dos casos é folicular, difuso de grandes células e linfoma de células do manto) e de células T. O perigo maior é quando a doença avança, se dissemina para outros órgãos e acomete a medula óssea. Ainda segundo a associação, as chances de cura da doença são, em média, de 60 a 70%, mas é importante que ela seja descoberta logo no início.

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