Entenda o que muda com a fase vermelha, e o que abre e fecha em São Paulo

João Conrado Kneipp
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Students from the Baccarelli Institute play music on a street in Heliopolis, a poor neighborhood of Sao Paulo, Brazil, Tuesday, Aug. 25, 2020. During the ongoing coronavirus pandemic, the group is performing to bring some joy and music to the people that live in the favela. (AP Photo/Carla Carniel)
O Estado de São Paulo funcionará sob as regras da fase vermelha durante os finais de semana, e à noite nos dias de semana. (Foto: AP Photo/Carla Carniel)

Diante de uma nova piora na situação da pandemia da Covid-19, o governo de João Doria (PSDB) anunciou, nesta sexta-feira (22), um endurecimento da quarentena e colocou todo o estado de São Paulo sob a fase vermelha — a mais rígida — entre 20h e 6h nos dias úteis, e também aos finais de semana e feriados.

Durante a fase vermelha imposta nesses horários, só estão autorizados a funcionar os serviços considerados essenciais como supermercados, padarias, farmácias, postos de combustíveis e etc.

Na fase vermelha, bares e restaurantes poderão trabalhar apenas com sistema de delivery; shoppings e o comércio devem estar fechados para o público; e parques estaduais, cinemas e teatros não funcionarão no período noturnos e aos fins de semana e feriados.

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Além disso, o governo reclassificou seis regiões do estado integralmente da fase vermelha, enquanto outras 10 regiões estão submetidas às determinações da fase laranja. Na semana passada, houve uma modificação na fase laranja, deixando-a mais permissiva.

A medida começa a valer na segunda-feira (25) e seguirá em vigor nas próximas duas semanas, até o dia 7 de fevereiro. Portanto, nos finais de semana de 30 e 31 de janeiro, e 6 e 7 de fevereiro as regras a serem cumpridas já serão da fase vermelha.

COMO FUNCIONA A FASE VERMELHA EM TODO O ESTADO DE SÃO PAULO:

  • Entre 20h e 6h, todos os dias de semana

  • 24 horas aos sábados, domingos, e feriados

Fora desses períodos, cada município irá seguir a regra da região em que está inserido.

Por exemplo, Marília, que está na fase vermelha, permanecerá nesta fase mesmo nos dias de semana e fora dos horários acima. Já a Grande São Paulo poderá ter funcionamento dos shoppins centers ou academias, por exemplo, entre 6h e 20h nos dias úteis, já que está regularmente na fase laranja.

O QUE ABRE NA FASE VERMELHA — SERVIÇOS ESSENCIAIS:

  • Mercados

  • Padarias

  • Açougues

  • Postos de combustíveis

  • Lavanderias

  • Meios de transporte coletivo, como ônibus, trens e metrô

  • Transportadoras, oficinas de veículos

  • Atividades religiosas

  • Hotéis, pousadas e outros serviços de hotelaria

  • Bancos

  • Pet shops

O QUE ABRE NA FASE LARANJA:

  • Liberação de todos os setores de comércio e serviços, exceto o atendimento presencial em bares

  • A capacidade de ocupação é para 40% em todos os setores

  • O funcionamento máximo é de 8 horas por dia

  • Atendimento presencial — exceto nos bares — só até 20h

Nova atualização do Plano São Paulo divulgada nesta sexta-feira (22), pelo governo João Doria. (Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo/YouTube)
Nova atualização do Plano São Paulo divulgada nesta sexta-feira (22), pelo governo João Doria. (Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo/YouTube)

REGIÕES NA FASE VERMELHA:

  • Bauru

  • Franca

  • Presidente Prudente

  • Sorocaba

  • Taubaté

  • Barretos

  • Marília

REGIÕES NA FASE LARANJA:

  • Grande São Paulo

  • Araraquara

  • São João da Boa Vista

  • Campinas

  • Baixada Santista

  • Registro

  • Campinas

  • Piracicaba

  • São José do Rio Preto

  • Araçatuba

Com a nova mudança, 10 regiões ficarão na fase laranja, cerca de 78% da população do estado. Na fase vermelha, estão outras 7, representando 22 dos moradores paulistas.

PIORA NA PANDEMIA, CENÁRIO ‘SOMBRIO’ E APELO À POPULAÇÃO

A decisão de reforçar a quarentena ocorre após São Paulo registrar três semanas seguidas com mais de 10 mil casos novos de Covid, com o número de óbitos pela doença dobrando nas últimas semanas, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde.

O governo paulista também informou que, diante do quadro mais grave, decidiu adiar o retorno às aulas presenciais e retirou a obrigatoriedade de as crianças do ensino público retirou a obrigatoriedade de as crianças do ensino público comparecerem presencialmente às aulas nas fases vermelha e laranja. As escolas, porém, poderão permanecer abertas.

O coordenador Executivo do Centro de Contingência da Covid-19, João Gabbardo, afirmou que a previsão para os próximos dias “não é tranquilizadora”.

“O que o Centro de Contingência prevê de cenáro para os próximos dias não é nada tranquilizadora. Muito pelo contrário, são dias muito sombrios. Se não tomarmos as medidas necessárias, em pouco tempo, teremos dificuldade de oferecer leitos de UTI para quem precisa de atendimento intensivo”, afirmou ele.

Para amenizar o impacto do aumento de internações e alta nas taxas das ocupações de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), o governo anunciou 756 novos leitos em hospitais do estado de São Paulo, e a reabertura do Hospital de Campanha de Heliópolis.

Gabbardo também fez um apelo à população para que não aguarde o decreto estadual para cumprir as regras mais rígidas de deslocamento e funcionamento dos comércios.

"Algumas medidas poderão ser implementadas nos próximos dias adicionalmente às que estamos tomando hoje. Se os indicadores não melhorarem, se as pessoas não mudarem o seu comportamento, como por exemplo, não vamos esperar até segunda-feira para começar a cumprir com as medidas hoje anunciadas. A partir de agora as pessoas já devem ter a preocupação de reduzir ao máximo tudo aquilo que pode aumentar a transmissibilidade da doença. Não fiquem esperando decreto. Não fiquem esperando as ordens do governo”, disse.

Na segunda-feira (18), Gorinchteyn afirmou que São Paulo teve, na última semana, seu pior momento até agora no enfrentamento à pandemia. “Essa última semana foi a pior semana epidemiológica na história da pandemia no estado de São Paulo”

O estado apresentou um crescimento de 77% no número de casos da doença, aumento de 59% no número de óbitos e incremento em 28% no número de internações, na comparação dos últimos 7 dias com a última semana de 2020, segundo o secretário.

A explosão de casos, internações e morte ocorreu 14 dias após o ápice das aglomerações promovidas pelas festas de final de ano. E apesar do cenário ruim, especialistas alertam que a situação da pandemia no país ainda pode ficar pior.