Entenda o que se sabe sobre a compra de seringas e agulhas para vacinação contra a Covid-19 no Brasil

O Globo
·4 minuto de leitura

RIO — Nesta terça-feira (29), fracassou o pregão eletrônico realizado pelo Ministério da Saúde para comprar seringas e agulhas para a campanha de vacinação contra a Covid-19. A pasta buscava adquirir 331,2 milhões de unidades, mas só conseguiu garantir 7,9 milhões. O valor adquirido corresponde a 2,4% dos produtos em licitação. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada por O GLOBO. Em outros três itens do edital, nada foi comprado.

A dificuldade para garantir os materiais pode ser um novo complicador para a vacinação no país. Com a incerteza sobre o fornecimento pelo governo federal, alguns estados já começaram a garantir o estoque de agulhas e seringas para serem usadas quando um imunizante for aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O governo federal avalia que poderia implementar o plano nacional de imunização a partir de 20 de janeiro, se alguma vacina receber aval do órgão em tempo hábil.

Alguns estados garantem insumos por conta própria

O governo de São Paulo adquiriu neste ano 71 milhões de seringas e agulhas para aplicação da vacina contra Covid-19 durante a campanha, prevista para começar em 25 de janeiro no estado. A Secretaria de Saúde dividiu as compras em 27 pregões, realizados entre 18 e 23 de dezembro. O governador João Doria anunciou que pretende chegar a 100 milhões de insumos.

"Estamos ampliando o estoque para termos certeza e convicção de que nenhum insumo faltará ao estado de São Paulo, para atender a população na vacinação que começa no dia 25 de janeiro. Todos os insumos serão distribuídos nos 645 municípios do Estado”, disse Doria, em nota.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Saúde do Estado informou que recebeu esta semana um primeiro lote com 8 milhões de agulhas e seringas que poderão ser usadas para a vacinação da população contra a Covid-19. Um segundo lote com outras 8 milhões de agulhas e seringas será entregue em janeiro. As agulhas e seringas foram compradas a R$ 0,17 a unidade, abaixo do valor estabelecido nas atas de preço vigentes, segundo a SES.

"O Plano Nacional de Imunização, do Governo Federal, prevê a distribuição de agulhas e seringas aos estados. Mesmo assim, o Governo do Rio adotou um plano de contingência estadual, para que não ocorram atrasos na vacinação dos cidadãos fluminenses. Os 16 milhões de agulhas e seringas serão suficientes, caso necessário, para as quatro primeiras fases da campanha de imunização contra a Covid-19, quando a previsão é de que sejam vacinadas 3,5 milhões de pessoas no estado", afirmou a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, em nota.

O governo da Bahia já adquiriu 19,8 milhões de seringas e agulhas para vacinar a população contra o coronavírus, em um investimento de R$ 5,5 milhões. O secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, afirmou que atualmente o estado tem também 6 milhões de seringas e agulhas em estoque, que são utilizadas nas vacinas de rotina.

Já o Ceará conta com 2 milhões de seringas e agulhas em estoque, e outras 6 milhões têm previsão de chegada para a primeira quinzena de janeiro. Segundo a secretária-executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde (Sesa), Magda Almeida, serão compradas ao todo mais de 17 milhões de seringas e agulhas para a vacinação contra a Covid-19.

O Distrito Federal tem, em estoque, 2 milhões de seringas e agulhas de aplicação, e já iniciou o processo para a compra de mais 4,8 milhões de unidades do insumo, segundo o secretário de Saúde, Osnei Okumoto.

Comprar insumos em situações excepcionais é 'obrigação do governo'

No entanto, para alguns estados, a compra do Ministério da Saúde é essencial para garantir os insumos para a vacinação. Alagoas, por exemplo, governado por Renan Filho, espera que o Ministério da Saúde adquira materiais como agulhas e seringas, conforme informado pela Secretaria de Saúde ao G1.

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Eduardo Lula, afirmou ser obrigação do governo comprar os insumos em situações excepcionais. Ele alertou que o fracasso no pregão é preocupante e que o país corre risco de ter a vacina, mas não ter material suficiente para administrá-la na população.

— Corremos o risco real de termos vacina e não termos agulhas e seringas suficientes. O Ministério tem de urgentemente reunir a indústria nacional para saber como proceder. Sob pena de medidas drásticas serem tomadas, como, por exemplo, a requisição administrativa ou a proibição de exportação dos estoques no Brasil — disse Lula.