Entenda os recordes da pandemia de Covid-19 no Brasil que assustam o mundo

Evelin Azevedo
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RIO — Esta semana, o Brasil bateu uma série de recorde de mortes e de internações por causa da Covid-19, o que tem feito o mundo ligar um alerta em relação à situação do país. Na última quarta-feira, em reportagens publicadas no New York Times e no Guardian, cientistas alertam que o avanço da doença no país se tornou uma ameaça global, com o risco de gerar novas e ainda mais letais variantes do coronavírus.

Há um temor de que o Brasil se torne uma ameaça global à gestão da crise causada pela Covid-19. Especialistas chegaram a afirmar que o país pode se tornar uma pária internacional, sendo rejeitado pelas demais nações em transações econômicas, turismo e em outros setores. Pelo menos 18 países suspenderam voos ou impuseram outros vetos específicos aos passageiros saídos do Brasil.

Na última sexta-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a situação da Covid-19 no Brasil é preocupante e deve ser levada "muito a sério".

— A situação é muito séria, muito preocupante. As medidas de saúde pública que o Brasil deveria adotar deveriam ser agressivas, enquanto, ao mesmo tempo, distribui vacinas. Se o Brasil não for sério, vai continuar a afetar toda a vizinhança lá e além. Não é só sobre o Brasil — afirmou Tedros Ghebreyesus.

Veja os recordes batidos pelo Brasil na última semana que preocupam o mundo:

Maior número de mortes em 24h

Na última quarta-feira, o Brasil contabilizou 1.840 mortes em 24h, o recorde desde o início da pandemia. Sete dos dez dias com maiores registros de mortes ocorreram em 2021. Um levantamento feito pelo GLOBO mostrou que os óbitos no primeiro bimestre deste ano cresceram 71% em comparação ao último bimestre de 2020.

Oito recordes consecutivos de média móvel de mortes

Neste sábado, o Brasil registrou, pelo oitavo dia consecutivo, um novo recorde de média móvel de mortes. Isso mostra que os óbitos causados pelo novo coronavírus no país estão com tendência de aumento.

Abaixo, os recordes na média móvel:

06/03/2021 com média de 1.455 mortes05/03/2021 com média de 1.423 mortes04/03/2021 com média de 1.361 mortes03/03/2021 com média de 1.332 mortes02/03/2021 com média de 1.274 mortes01/03/2021 com média de 1.223 mortes28/02/2021 com média de 1.208 mortes27/02/2021 com média de 1.180 mortes

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Dez mil mortes em uma semana

Também no sábado, o país ultrapassou pela primeira vez o número de 10 mil mortes por Covid-19 em uma semana. Este é outro indicativo de que o Brasil enfrenta sua pior fase da pandemia. São mais brasileiros perdendo suas vidas por causa do vírus em um curto espaço de tempo. O país já totaliza 264 mil óbitos, atrás apenas dos EUA, que têm quase o dobro de mortes.

UTIs Covid com ocupação superior a 80%

Um levantamento do GLOBO com as secretarias estaduais de saúde mostrou que mais da metade dos estados brasileiros estava com a taxa de ocupação de suas UTIs Covid acima de 80%. Além disso, mais de1.500 pacientes aguardam vagas para UTI em 11 estados. Isto significa que as unidades de saúde estão próximas de entrar em colapso. No sábado, a ocupação dos leitos de UTI Covid do Rio chegou a 93%. No primeiro dia na fase vermelha, São Paulo teve ocupação de UTIs perto de 80% e 19 hospitais lotados. Já a ocupação dos leitos de UTI Covid do Rio Grande do Sul ultrapassaram 100%.