Entenda por que Australian Open e início da Fórmula 1 em Melbourne podem ser adiados

O Globo
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2021 começou, mas os problemas criados pela pandemia voltaram a assombrar o mundo dos esportes exatamente como no ano passado. Proprietários de apartamentos nas instalações de um hotel de luxo em Melbourne estão tentando anular os planos dos organizadores do Australian Open de usar o local para colocar jogadores em quarentena antes do Grand Slam. Enquanto isso, o GP da Austrália de Fórmula 1 pode ser adiado em função de medidas para conter uma nova onda de Covid-19.

Segundo o site "RaceFans", a prova que abre o calendário 2021 da Fórmula 1, marcada para 21 de março, pode ser afetada em função de restrições impostas antes da virada do ano. Para se encaixarem nos novos procedimentos impostos pelo governo, todos os profissionais envolvidos na corrida teriam que respeitar um quarentena de 14 dias ao chegar no país, além de terem de criar uma "bolha" como a que aconteceu em Abu Dhabi, o que impõe grandes desafios financeiros e logísticos.

Em caso de adiamento, a corrida poderia ser empurrada para o segundo semestre, o que esbarraia em outro probelma: o calendário apertado. Com 23 etapas, o cronograma de 2021 é o maior da categoria.

O GP da Austrália já havia sido cancelado de última hora em 2020, e a decisão sobre a corrida deste ano deve ser anunciada nos próximos dias.

No mundo do tênis, espera-se que centenas de jogadores cheguem a Melbourne em meados de janeiro para o Aberto da Austrália que está prgramado para acontecer entre 8 e 21 de fevereiro. Os atletas também devem passar por uma quarentena obrigatória de 14 dias, como parte dos protocolos locais contra a Covid-19.

Mas o plano da organização do evento pode esbarrar em um problema: os proprietários de apartamentos no prédio Westin Melbourne estão preocupados com sua saúde e não concordaram que jogadores internacionais fiquem em quarentena no hotel.

— Ninguém nos disse que foi ordenado por uma autoridade governamental para transformar um hotel urbano parcialmente residencial em um hotel de quarentena — disse o advogado Graeme Efron nesta segunda-feira.

Proprietários, que incluem alguns dos principais executivos do país, disseram que se sentiram “emboscados” pelo plano de quarentena.

— Aos 84, estou no grupo de risco e é chocante a maneira como eles tentaram fazer isso sem qualquer tentativa de nos consultar — disse o proprietário Digby Lewis à "Fairfax".

A administração do Westin disse que seu plano de segurança foi compartilhado com a corporação dos proprietários, acrescentando que os residentes usariam uma entrada e elevadores separados e não teriam contato com jogadores e suas equipes de quarentena.

— O piso deles permanecerá exclusivo e não haverá recirculação de ventilação entre os andares — disse o Westin em um comunicado.

A Tennis Australia não respondeu a um pedido de comentário.

Melbourne, capital do estado de Victoria, foi o epicentro do maior surto de segunda onda de Covid-19 da Austrália, que começou em dois hotéis de quarentena para chegadas internacionais.

Mais de 18 mil infecções e quase 800 mortes foram registradas em Victoria durante o surto.

O local registrou três novos casos nesta segunda-feira, enquanto as autoridades lutam para rastrear contatos próximos de um surto que começou em meados de dezembro na área de Northern Beaches, em Sydney.