Entenda por que manifestantes golpistas puderam usar seus celulares mesmo após serem detidos pela PF

BRASÍLIA- Vídeos e fotos de dentro do ginásio da Polícia Federal, em Brasília, para onde manifestantes golpistas foram levados após serem detidos têm circulado desde segunda-feira. A disseminação do material pelas redes sociais levou a questionamentos sobre suposto privilégio, uma vez que mesmo após a prisão eles puderam usar seus aparelhos celulares.

Segundo o ministro da Justiça, Flávio Dino, porém, não se trata de qualquer privilégio, mas a necessidade de os detidos passarem por uma triagem antes de terem seus pertences recolhidos e enviados a um presídio.

Em entrevista à GloboNews, Dino afirmou que as pessoas que publicaram conteúdo nas redes sociais ainda não haviam passado pela triagem dos agentes. O procedimento é necessário para formalizar a prisão em flagrante e realizar a apreensão de bens, entre eles o celular, antes de encaminhar o detido ao sistema prisional. A demora na triagem, que na tarde desta terça-feira ainda não havia sido concluída, deu-se devido ao grande número de pessoas – cerca de 1.200.

— Elas eram chamadas para serem ouvidas e falar sobre a participação nos eventos, e nesse momento, ocorria a apreensão do celular – afirmou. Ele acrescentou: — Quando vazaram as imagens do local, já havia centenas de celulares apreendidos, mas outras centenas que não.

Os vídeos repercutiram nas redes sociais. Em um deles, algumas pessoas afirmam não ter recebido alimentação até aquele momento. Em outro registro, um homem mostra duas marmitas oferecidas aos detidos e reclama da qualidade dos alimentos. Um deles chegou a convocar um novo protesto em imagens que divulgou nas redes.

Dino reforçou que todos os celulares serão tomados após a finalização da triagem.

— Assim como as pessoas sairão da Academia Nacional de Polícia, que era o único espaço disponível.

O procedimento envolve três etapas: obrigar os suspeitos a entregar o telefone para a perícia – depois, é devolvido –, recolher o material genético deles e interrogá-los.

Segundo a assessoria da PF, as pessoas continuam com os celulares porque não estão presas, mas, sim, detidas para serem ouvidas e identificadas. A corporação também informou que todos os detidos receberam alimentação, água e acesso aos banheiros. O ministro endossou, afirmando que houve “todo o suporte humanitário possível”.