Entenda como o ‘Parque dos Dinossauros’ proposto por sócio de Musk seria possível

Marcus Couto
·4 minuto de leitura
Parque dos Dinossauros mutantes? (Foto: Getty Images)
Parque dos Dinossauros mutantes? (Foto: Getty Images)
  • Cientistas exploram fronteira da bioengenharia para criar animais mutantes.

  • Pesquisas buscam entender comportamento genético dos animais.

  • Fundador da Neuralink sugeriu a possibilidade de “Jurassic Park” com criaturas mutantes.

Há algumas semanas, o engenheiro-médico Max Hodak – fundador com Elon Musk da startup Neuralink, uma empresa que estuda chips cerebrais para conectar o cérebro humano a computadores – publicou uma mensagem polêmica no Twitter: ele disse que, atualmente, seria possível a humanidade criar seu próprio “Parque dos Dinossauros”, semelhante ao que se viu na série de filmes do diretor Steven Spielberg, baseados nos romances de Michael Crichton.

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Mas, ao contrário do que se viu nas telonas, a ideia não seria extrair o DNA de algum mosquito cristalizado em âmbar, e usá-lo para criar cópias geneticamente autênticas de dinos, e sim partir da fauna já existente hoje. A ideia de Hodak é criar um zoológico de animais mutantes:

“Nós provavelmente conseguiríamos construir o Jurassic Park caso quiséssemos”, disse o empreendedor no Twitter. “Não seriam dinossauros geneticamente autênticos, mas… Talvez 15 anos de cultivo e engenharia para conseguir novas espécies super exóticas.”

Mas seria mesmo possível criar esse tipo de criatura com a ciência disponível atualmente? Segundo as últimas pesquisas e avanços na área da bioengenharia, a resposta é sim.

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Em seu livro “O Gato Frankenstein - Acariciando as novas feras da biotecnologia”, a jornalista de ciência Emily Anthes descreve os avanços do setor, assim como os dilemas éticos enfrentados por seus cientistas. Por exemplo, ela descreve uma universidade na China onde atualmente existem mais de 45 mil gaiolas, todas cheias de ratos mutantes, criados a partir de manipulação genética.

“Os cientistas decidiram acelerar a criação de ratos mutantes, desativando seus genes aleatoriamente, um por vez, para verificar o que ocorre com eles”, disse Anthes em entrevista recente. “Conforme crescem, os ratos exibem deformidades específicas [relacionadas ao gene desativado]. Alguns ratos desenvolvem tumores, outros ficam carecas, têm comportamentos estranhos. Um deles era capaz de se mover apenas para a esquerda.”

A jornalista conta um caso em que um rato desenvolveu presas externas, como as de um elefante – e aí você começa a encontrar os caminhos para a ideia de um “Parque dos Monstros”, como o sugerido por Hodak. Imagine um felino de grande porte, por exemplo, como um leão ou um tigre, com as presas como as de um elefante? Teríamos algo semelhante ao extinto Smilodon, o tigre dentes-de-sabre, que viveu entre 2,5 milhões e 10 mil anos atrás.

“O objetivo desses cientistas é criar um catálogo para estudar quais genes são responsáveis por quais alterações”, explica Anthes.

Há também a possibilidade de se “transplantar” genes de uma espécie para outra. O que aconteceria ao colocar genes responsáveis pelo desenvolvimento de escamas e uma pele reptiliana em um grande avestruz, e transformá-lo numa criatura carnívora? Teríamos algo semelhante a um Raptor? Não é muito difícil imaginar o que aconteceria a partir de uma compreensão completa desses genes somada à vontade de criar um “Parque dos Dinossauros”.

GloFish – animais mutantes criados para estudo, mas depois colocados à venda em aquários. (Foto: GloFish/via Getty Images)
GloFish – animais mutantes criados para estudo, mas depois colocados à venda em aquários. (Foto: GloFish/via Getty Images)

Questões éticas

Muitas dessas pesquisas são feitas com foco no bem-estar humano. Por exemplo, o desenvolvimento de vacas e cabras cuja genética é alterada para que elas dêem leite com características medicinais ao corpo humano, como proteínas específicas. Há também ratos que são alterados para que eles desenvolvam certos tipos de tumores – e os cientistas possam estudar essas doenças para depois criar tratamentos que possam ser aplicados a humanos.

Mas, ainda assim, o maior debate ético que existe hoje é se a humanidade deve submeter esses animais-cobaias a verdadeiras torturas com o objetivo de desenvolver possíveis soluções para a saúde humana.

O futuro mutante já chegou

Engana-se quem acha que esses animais estão longe de chegar ao convívio humano. De certa forma, o “Jurassic Park” mutante sugerido por Hodak já existe, na forma de aquários espalhado por milhares de residências dos Estados Unidos e outros países do mundo.

Já é possível comprar hoje os chamados “GloFish”. Essas criaturas são peixes zebras geneticamente alterados. Originalmente, os peixes zebra têm os corpos cobertos com listras pretas e brancas. Ocorre que cientistas conseguiram inserir neles os genes de um tipo de água-viva fluorescente, que fazem com que seus corpos ganhem cores vibrantes, que brilham sob luz negra. 

Hoje, os chamados "GloFish" são vendidos em lojas Walmart dos Estados Unidos, por poucos dólares. Mutantes prontos para a contemplação e entretenimento de seus criadores Frankensteins.

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