Entenda porque o recorde de Messi é contestado por brasileiros e o de Pelé não é valorizado na Europa

Marcello Neves
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Lionel Messi reescreveu a história. Ao marcar pela 643ª vez pelo Barcelona, o astro fez o que muitos trataram como impossível por décadas: igualar — e superar nas próximas rodadas — o recorde de Pelé como maior goleador por um único clube na história no futebol. Mas se a Europa está morrendo de amores pelo feito do argentino, no Brasil segue reticente. Por que?

O principal motivo é que a régua usada pelo Barcelona e pela Fifa para medir gols é diferente da usada no Brasil. Aqui, crescemos lendo crônicas, registros e especiais sobre o milésimo gol de Pelé, mas as entidades internacionais preferem medir apenas os tentos em "jogos oficiais".

De cara, isso retira 448 bolas na rede da conta do Rei por considerar que foram marcados em amistosos. O que a Fifa e o Barcelona não levam em conta é que, na época, não havia dezenas de competilções oficiais à disposição como atualmente e os principais clubes — como o Santos de Pelé — viajavam para enfrentar outras potências.

No total, o Santos contabiliza 1.091 marcados em 1.281 partidas para Pelé. A diferença de 448 gols (41% do total) foram pelos tentos em amistosos. Messi tem 37 feitos em 58 amistosos no Barcelona.

Os gols de Pelé

Amistosos: 448Campeonato Paulista: 470Campeonato Brasileiro: 100Torneio Rio-São Paulo: 49Libertadores: 17Mundial de Clubes: 7

Os gols de Messi

Amistosos: 37Campeonato Espanhol: 450Liga dos Campeões: 118Mundial de Clubes: 5Copa do Rei: 53Supercopa da Espanha: 14Supercopa da Uefa: 3

É claro, Pelé marcou gols em amistosos contra combinados e equipes amadoras, mas não faltaram tentos contra potências internacionais da época, como o Benfica, de Portugal. O Corinthians, por exemplo, foi a maior vítima do Rei com 50 gols, alguns deles em amistosos.

Esse argumento utilizado pela Fifa também favorece Messi no tira-teima entre os dois. Em 660 jogos de competição pelo Santos, o Rei marcou 643 vezes, com média de 0,97 por partida. O argentino igualou a meta após 748 partidas pelo clube espanhol, média de 0,85 por jogo.